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Economia
10/02/2026 00:00:00

Uma década de Open Banking: progresso tecnológico, mas resistência na confiança dos consumidores

Apesar dos avanços e do reconhecimento, a aceitação do sistema ainda encontra obstáculos relacionados à segurança e à compreensão

Uma década de Open Banking: progresso tecnológico, mas resistência na confiança dos consumidores

Após cinco anos de implementação no Brasil, o sistema de Compartilhamento de Dados Financeiros, conhecido como Open Finance, demonstra crescimento expressivo e posiciona o país entre as nações pioneiras em finanças abertas.

Essa inovação permite que instituições financeiras compartilhem informações com o consentimento dos usuários, promovendo maior competitividade e inovação no setor. Contudo, apesar do progresso tecnológico e do potencial para reduzir custos de crédito e aprimorar a gestão financeira pessoal, a desconfiança dos consumidores permanece como principal entrave para uma adoção mais ampla.

Um levantamento realizado pela plataforma de insights de consumo MindMiners, em parceria com a Lina Open X, revelou que em dezembro de 2025, 76,8% dos brasileiros conhecem o conceito de Open Finance, embora somente 37,1% tenham autorizado o compartilhamento de seus dados. Ainda assim, o desejo de centralizar informações financeiras persiste: 75,2% dos entrevistados demonstram interesse em consolidar todas as contas bancárias em um único aplicativo.

Essa discrepância explica por que o sistema ainda opera aquém de seu potencial máximo. Dados do painel do Open Finance Brasil indicam que, em novembro de 2025, havia aproximadamente 143 milhões de consentimentos ativos. Segundo Murilo Rabusky, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Lina Open X, o crescimento vem sendo estável, porém ainda exclui uma parcela considerável da população de usuários ativos.

“Estamos lidando com uma tecnologia que é eficiente, segura, amplamente acessível e vista como útil por aqueles que já a experimentaram. Ainda assim, sua adoção mais ampla depende de uma estratégia mais incisiva por parte das instituições financeiras, que podem aproveitar os dados compartilhados para oferecer benefícios aos seus clientes. Isso aumentaria a percepção de valor e estimularia maior adesão”, avalia Rabusky.

Em relação ao controle financeiro, o estudo revela uma lacuna entre a percepção dos brasileiros sobre o auxílio da tecnologia e a prática efetiva. Enquanto 71,8% reconhecem que as ferramentas digitais ajudam a melhorar o relacionamento com o dinheiro, apenas 18,9% utilizam aplicativos de gerenciamento financeiro de forma regular, evidenciando uma diferença superior a cinquenta pontos percentuais. Na rotina diária, métodos tradicionais continuam dominando: 31,6% dos brasileiros anotam despesas em cadernos ou planilhas, e 16,1% não controlam seus gastos de nenhuma forma. Rabusky comenta que “esse descompasso demonstra que o problema transcende a tecnologia. O maior desafio atualmente é comportamental, ligado à conveniência e à compreensão de como usar as ferramentas financeiras pessoais”.

Embora os aplicativos bancários tenham se consolidado como o principal canal de interação para 81% dos usuários, a utilização de recursos voltados à educação financeira ainda é restrita. Apenas 23,1% seguem orientações personalizadas, enquanto 25,7% raramente as colocam em prática e 13,1% sequer prestam atenção nesse conteúdo.

Consequentemente, o planejamento financeiro não apresenta resultados satisfatórios: somente 26% dos brasileiros conseguem poupar todos os meses, e apenas 12,8% sentem-se totalmente preparados para lidar com imprevistos, como a perda de renda ou despesas emergenciais. Rabusky reforça que “os bancos e fintechs avançaram bastante em digitalização, porém grande parte desse esforço ainda não se traduziu em mudanças concretas nos comportamentos relacionados à educação financeira, controle de gastos e formação de reservas.

Existe uma grande oportunidade de transformar os aplicativos bancários em ferramentas integradas de educação e gestão financeira, alinhadas ao cotidiano das pessoas”.