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Mundo
09/02/2026 16:00:00

Seis anos após o surgimento da Covid-19, OMS analisa avanços e desafios na preparação global para futuras pandemias

Organização Mundial da Saúde destaca melhorias, desigualdades persistentes e a importância de cooperação internacional contínua

Seis anos após o surgimento da Covid-19, OMS analisa avanços e desafios na preparação global para futuras pandemias

Seis anos após a declaração de emergência global devido à Covid-19, a Organização Mundial da Saúde (OMS) realiza uma avaliação sobre o progresso na preparação para pandemias futuras. Apesar de avanços significativos, o relatório aponta que o desenvolvimento permanece desigual e que a vulnerabilidade global ainda é uma preocupação, reforçando a necessidade de investimentos constantes e solidariedade internacional.

Em Kharkiv, na Ucrânia, equipes de enfermagem carregam corpos de vítimas da Covid-19 em macas, enquanto hospitais enfrentam dificuldades crescentes durante o conflito armado. Esses registros mostram a continuidade do impacto da pandemia em diversas regiões.

Desde que a OMS declarou, há seis anos, que a disseminação de uma nova doença por coronavírus constituía uma emergência de saúde pública de alcance internacional, o mundo passou por mudanças profundas. Apesar do encerramento do alerta oficial pelo diretor-geral em maio de 2023, os efeitos da crise permanecem evidentes globalmente.

Progressos e desafios desde o início da crise

Ao iniciar a pandemia, a OMS questionou países e parceiros sobre seu nível de prontidão para uma crise sanitária de magnitude global. A resposta, segundo a organização, foi marcada por um misto de avanços concretos e cautela, considerando as desigualdades entre as nações que ainda dificultam uma preparação uniforme.

O relatório destaca que, ao longo dos anos, diversas ações estratégicas foram implementadas para fortalecer a capacidade mundial de resposta, embora o progresso ainda exiba disparidades que requerem atenção contínua e investimento duradouro.

Na 158ª sessão do Conselho Executivo, o diretor-geral, Tedros Ghebreyesus, enfatizou as lições aprendidas com a pandemia, ressaltando que ameaças globais demandam uma abordagem coordenada e ações globais unificadas.

Marco importante: o Acordo Pandêmico da OMS

O documento firmado em maio de 2025 estabeleceu uma estratégia abrangente para prevenir, preparar e responder às futuras crises de saúde. Além de buscar maior segurança sanitária, promove a justiça global na distribuição de recursos e cuidados.

Atualmente, as nações negociam detalhes específicos do Anexo sobre Acesso a Agentes Patogênicos e Compartilhamento de Benefícios, antes da realização da Assembleia Mundial da Saúde, prevista para este ano.

Investimentos, monitoramento e inovação tecnológica

O Fundo Pandêmico distribuiu mais de US$ 1,2 bilhão em subsídios nas três primeiras fases, impulsionando a mobilização de mais US$ 11 bilhões destinados a 67 projetos em 98 países. Tais recursos apoiaram o fortalecimento de vigilância, redes laboratoriais, capacitação de equipes e a coordenação entre setores.

Novas ferramentas, como a atualização do programa Epidemic Intelligence from Open Sources (Eios), que utiliza inteligência artificial, buscam auxiliar mais de 110 países na identificação rápida e resposta eficiente a ameaças emergentes.

O BioHub, iniciativa de compartilhamento internacional de amostras biológicas de vírus como mpox, coronavírus e oropouche, consolidou-se como uma plataforma confiável, apoiada por 30 países e territórios, facilitando o acesso a informações vitais para o desenvolvimento de vacinas e tratamentos.

Capacitação, produção local e acesso equitativo

Esforços para ampliar a produção local de vacinas, diagnósticos e medicamentos avançaram com a criação de centros de transferência de tecnologia, como o de mRNA na Cidade do Cabo, na África do Sul, e um centro de formação em Seul, na Coreia do Sul. Além disso, a Academia da OMS na França e o Centro Global de Formação em Biofábricas, parceria entre Coreia do Sul e OMS, fortalecem a capacitação de profissionais e promovem o acesso justo a produtos essenciais.

Por meio do Quadro de Preparação para Pandemias de Gripe, oito novos acordos assinados em 2025 garantem reserva de antivirais, diagnósticos, seringas e mais de 900 milhões de doses de vacinas para futuras imunizações.

Conquistas sob pressão e os desafios que permanecem

Os avanços evidenciam o compromisso global com a cooperação, refletido na resposta eficiente a surtos recentes de ebola e marburg, que hoje apresentam menor mortalidade e propagação, graças às ações coordenadas apoiadas pela OMS.

Entretanto, o relatório alerta que esses progressos ainda são frágeis. O financiamento global tem priorizado a segurança e defesa, deixando a saúde pública em segundo plano, o que prejudica a resiliência dos sistemas de saúde após a Covid-19.

Chamado à ação: fortalecer a resistência mundial

A OMS insiste na necessidade de que governos, parceiros e partes interessadas mantenham o foco na preparação e prevenção de futuras crises sanitárias. O atual momento do Conselho Executivo é considerado decisivo para moldar o futuro da cooperação internacional na área da saúde.

A organização reforça que agentes patogênicos não respeitam fronteiras e que nenhum país consegue enfrentar sozinho uma pandemia. Por isso, a vigilância contínua, a colaboração internacional e a solidariedade internacional são indispensáveis para evitar uma nova crise global, exigindo ações rápidas e coordenadas antes que uma próxima emergência aconteça.