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Especial
09/02/2026 15:00:00

Popularidade crescente de animais exóticos como pets no estado de Alagoas

Legislação e conscientização promovem comércio legal de espécies silvestres e exóticas

Popularidade crescente de animais exóticos como pets no estado de Alagoas

A busca por criaturas como cobras, lagartos e outros animais de fauna selvagem tem se intensificado entre os amantes de animais em Alagoas. Essa atividade comercial, voltada para espécies não convencionais, opera sob regras específicas para coibir o tráfico ilegal de fauna.

De acordo com o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), a criação e comercialização de espécies silvestres e exóticas só podem acontecer em centros de criação autorizados oficialmente. Entre os requisitos estão a comprovação de procedência legal, a identificação individual de cada exemplar e a emissão de nota fiscal. Essas medidas visam assegurar transparência no processo e proteger direitos tanto de consumidores quanto de criadores.

Desde sua implementação em 2016 e subsequentes revisões em 2022, a legislação estadual foi ajustada para refletir as particularidades de diferentes grupos de animais. Para répteis, por exemplo, o regulamento lista quais espécies podem ser criadas em cativeiro, priorizando aquelas com histórico de criação no Brasil e que não apresentam potencial de invasão comprovado.

Já para aves, a norma restringe-se a uma lista que veta espécies problemáticas. Quanto aos mamíferos, a legislação impõe critérios mais rígidos, permitindo a manutenção de apenas algumas espécies específicas e exigindo a castração obrigatória.

Tiago Lima, biólogo e proprietário do criatório Animais Brasil, localizado em Maragogi, destaca que as mudanças visaram equilibrar o interesse social e a conservação ambiental. “Para os répteis, há uma preocupação significativa com espécies invasoras. Por isso, a lei especifica exatamente quais podem ser criadas, todas sem potencial invasor”, afirma.

O Instituto também reforça que a regulamentação busca distinguir a criação legal do comércio ilegal de fauna, considerado crime ambiental. Animais comercializados sem documentação ou procedência confiável não podem ser regularizados no futuro, mesmo após longos períodos de cativeiro.

Outro fator que tem se alterado é o comportamento dos consumidores, que estão cada vez mais atentos à origem e às condições de manejo antes de adquirir um animal exótico. A preferência por criadores licenciados vem crescendo, uma consequência da maior conscientização ecológica e do rejeição ao mercado clandestino.

“Hoje, as pessoas sabem que tirar um animal da natureza é crime e, por isso, se informam sobre as condições de origem antes de comprar um pet não convencional”, comenta Tiago. Clínicas veterinárias também relatam uma diminuição nas apreensões de animais ilegais, reflexo do aumento na oferta de espécies legalizadas.

Os preços variam conforme a espécie escolhida. Segundo o criador, os jabutis representam uma das alternativas mais acessíveis dentro do mercado legal, com valores a partir de R$ 790, incluindo documentação e um guia de cuidados. Ressalta ainda que a emissão desses documentos é responsabilidade exclusiva de criadores licenciados. Espécies como iguanas custam em torno de R$ 4.490, enquanto jiboias variam de R$ 3.790 a R$ 4.990, e teiús podem chegar a R$ 2.490.

Após a aquisição, os custos de manutenção tendem a diminuir se o manejo for feito de forma adequada. Animais criados de forma responsável recebem orientações desde o início, o que reduz riscos de doenças. Répteis, por não transmitirem zoonoses e não necessitarem de vacinas, têm despesas principais relacionadas à alimentação e a consultas veterinárias preventivas.

Na esfera ambiental, a criação regular de animais exóticos é vista como uma estratégia que ajuda a diminuir o tráfico ilegal. “Quando há oferta legal, a procura por animais ilegais tende a cair, seguindo uma lógica de mercado natural”, explica Tiago. Além disso, ele aponta benefícios adicionais, como ações de educação ambiental, avanços na pesquisa científica, geração de empregos e arrecadação de tributos.

O perfil dos consumidores inclui famílias, jovens e adultos de diferentes idades. “Já presenciamos pais comprando animais para seus filhos, e a alegria que isso traz é sempre tocante. As pessoas ficam muito satisfeitas por realizarem esse desejo de maneira legal”, relata o ambientalista.

Antes de adquirir um pet exótico, o IMA recomenda que o interessado pesquise detalhadamente sobre a espécie desejada e confirme se o criador possui todas as autorizações necessárias. A responsabilidade do dono é fundamental para garantir o bem-estar do animal e a preservação ambiental.

Promover a criação legalizada é considerado uma estratégia eficiente para combater a retirada ilegal de animais da natureza e incentivar práticas de manejo e comércio responsáveis em Alagoas.