Mayllon Emannoel Pequeno, natural de Maceió e com idade de 21 anos, conquistou a primeira posição no programa de doutorado da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), atingindo uma nota de 9,83 e entrando diretamente na fase de pesquisa avançada, sem a necessidade de cursar o mestrado previamente.
Este feito, considerado incomum no cenário científico brasileiro, coloca o jovem em uma posição de destaque no panorama acadêmico nacional. Durante seu projeto de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), o estudante realizou investigações no Sirius, o maior acelerador de partículas da América Latina. Foto: arquivo pessoal.
A aprovação veio poucas semanas após a graduação e foi anunciada na semana em que seus colegas apresentaram seus trabalhos finais.
Ao ver seu nome na liderança da lista, Mayllon comemorou ao lado de amigos e professores, dizendo que "foi o dia mais feliz da minha trajetória até o momento". Ele completou sua graduação na Ilum Escola de Ciências, situada em Campinas (SP), uma instituição vinculada ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).
Com um curso de três anos, o foco principal foi a pesquisa, com acesso a laboratórios de ponta, incluindo o Sirius, o maior acelerador de partículas da América Latina. No Brasil, o doutorado direto é uma modalidade permitida, porém reservada a estudantes com um histórico acadêmico excepcional e ampla experiência em pesquisa.
De acordo com a Ilum, formar doutores jovens faz parte do propósito da escola, uma vez que a média de idade para obtenção do título no país é de aproximadamente quarenta anos. O desempenho de Mayllon reflete uma tendência observada na instituição, com uma análise preliminar indicando que seis dos 35 formandos já ingressaram em programas de doutorado direto, enquanto outros três aguardam respostas.
Durante seu período na graduação, Mayllon integrou o quadro do Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR), no CNPEM, sob supervisão da pesquisadora Gabriela Persinotti — que também será sua orientadora na continuidade do doutorado. Sua experiência precoce em pesquisas na área de bioinformática e biologia molecular foi crucial para sua aprovação.
O projeto de Trabalho de Conclusão de Curso, que envolveu estudos na área de bioinformática, destacou a terra preta da Amazônia, utilizando análises microbiológicas e físico-químicas por meio do Sirius. A pesquisa contou com colaborações da USP e da Embrapa, além de valorizar conhecimentos tradicionais de povos indígenas da região.
Sua relevância foi reconhecida com uma distinção especial na turma. A partir de março, Mayllon seguirá suas investigações no LNBR, concentrando-se na busca por enzimas por meio de bioinformática, metagenômica e inteligência artificial.
Sua meta é identificar microrganismos no intestino de cervídeos como veados e renas, com aplicações potenciais na produção de biocombustíveis e energias renováveis. O seu doutorado será realizado em cooperação entre a Unicamp e o CNPEM, proporcionando ao jovem pesquisador a oportunidade de continuar atuando no laboratório onde iniciou sua jornada científica, levando a reputação de Maceió e de Alagoas para o centro de inovação e ciência de alta tecnologia do Brasil.