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Acidente
07/02/2026 11:00:00

Estudo sugere que bactéria ocular pode estar ligada à progressão do Alzheimer

Pesquisas indicam conexão entre infecção bacteriana na retina e o avanço da doença neurodegenerativa

Estudo sugere que bactéria ocular pode estar ligada à progressão do Alzheimer

Uma investigação recente publicada na revista Nature Communications, no final de janeiro, revelou que a bactéria Chlamydia pneumoniae, comumente presente na retina, pode estar relacionada ao desenvolvimento e agravamento do Alzheimer. A pesquisa, conduzida por especialistas do Cedars-Sinai Medical Center, nos Estados Unidos, reforça a hipótese de que infecções bacterianas possam estar associadas a doenças neurodegenerativas.

O estudo envolveu a análise de tecido de olhos e cérebros de 104 indivíduos após o falecimento, constatando que aqueles diagnosticados com Alzheimer apresentavam níveis superiores da bactéria em seus tecidos. Embora a Chlamydia pneumoniae, normalmente localizada no sistema respiratório, já tivesse sido detectada em cérebros de pacientes com a doença, a descoberta de uma maior quantidade na retina é novidade.

Os resultados indicam que a presença da bactéria está relacionada ao aumento de processos inflamatórios e à morte de células nervosas, além de um maior acúmulo da proteína beta-amiloide no cérebro. Esses fatores contribuem para a evolução do Alzheimer, embora ainda não haja evidências conclusivas de que a infecção seja a causa principal do distúrbio.

De acordo com a neurocientista Maya Koronyo-Hamaoui, do Cedars-Sinai, o olho pode atuar como um espelho do estado cerebral. "O estudo sugere que a infecção bacteriana e a inflamação crônica na retina podem refletir a patologia cerebral, sendo úteis na previsão da doença. Isso apoia a possibilidade de utilizar exames oculares não invasivos para identificar indivíduos com risco de desenvolver Alzheimer", explica.

Testes realizados em laboratórios com neurônios e modelos animais também demonstraram que a infecção bacteriana incrementa a inflamação e acelera a degeneração dos neurônios. Para Timothy Crother, biólogo do Cedars-Sinai, esses achados abrem novas possibilidades de tratamento. "Essa descoberta aponta para o potencial de tratar o eixo infecção-inflamação como estratégia contra o Alzheimer", afirma.

LIMITAÇÕES E INVESTIGAÇÕES FUTURAS

Embora os resultados sejam encorajadores, os autores alertam que não há uma comprovação definitiva de que a bactéria seja a causa direta do Alzheimer. A pesquisa sugere que a Chlamydia pneumoniae possa atuar como um fator de agravamento, mas não como o gatilho principal da doença. Investigações adicionais são essenciais para esclarecer o papel específico da infecção na gênese do transtorno.

O próximo passo dos pesquisadores será entender como a bactéria ativa os processos inflamatórios e se há possibilidade de impedir essa reação. Além disso, pretendem avaliar a eficácia de exames na retina para a previsão prática e segura do risco de desenvolver demência.

A relação entre a saúde ocular e cerebral é cada vez mais estudada, e os avanços nessa área podem abrir caminho para novas técnicas de prevenção e tratamento do Alzheimer e de outras formas de demência.

Em relação ao consumo de alimentos, mesmo aqueles considerados nutritivos e amplamente ingeridos, o excesso pode provocar dores de cabeça e efeitos colaterais indesejados. Especialistas destacam a importância do consumo moderado, ressaltando os riscos, contraindicações e benefícios associados a esses alimentos.