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Saúde
05/02/2026 12:00:00

Avanços Promissores na Luta contra o Câncer de Pâncreas com Terapia Experimental

Estudo em modelos animais revela potencial de combinação de medicamentos para combater um dos tumores mais desafiadores

Avanços Promissores na Luta contra o Câncer de Pâncreas com Terapia Experimental

Uma esperança renovada surge na batalha contra o câncer de pâncreas após uma pesquisa recente publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, demonstrar que uma abordagem terapêutica inovadora pode ser capaz de erradicar a doença.

A investigação, conduzida em ratos de laboratório, apresentou resultados altamente encorajadores. Criada pelo Centro Nacional de Pesquisa do Câncer na Espanha, uma nova estratégia combina três diferentes medicamentos, mostrando-se eficaz na eliminação de tumores pancreáticos. Através do uso de uma combinação de fármacos, os cientistas conseguiram remover completamente os tumores em uma amostra de camundongos.

De acordo com informações do portal EurekAlert, essa descoberta pode abrir portas para o desenvolvimento de tratamentos mais eficientes para o adenocarcinoma ductal do pâncreas, o tipo mais comum dessa doença.

Os autores do estudo declararam que esses achados representam um passo importante rumo a futuros testes clínicos em humanos. A pesquisa enfatiza que a aprovação de medicamentos específicos para tratar essa forma de câncer só ocorreu em 2021, oferecendo uma alternativa à quimioterapia tradicional. Esses medicamentos funcionam ao bloquear a ação do gene KRAS, presente em aproximadamente 90% dos casos de câncer pancreático.

A estratégia do estudo espanhol foi justamente tentar inibir esse gene em três pontos distintos. Após a edição genética que desativou o gene em células específicas, os resultados foram bastante animadores. A equipe de pesquisa desenvolveu uma terapia que combina um inibidor experimental do KRAS — o daraxonrasib — com o fármaco já aprovado para certos cânceres de pulmão, conhecido como afatinibe, além de um agente que degrada proteínas, denominado SD36.

Os pesquisadores destacaram que essa combinação tripla promove uma regressão significativa dos tumores experimentais, além de impedir o surgimento de resistência tumoral, além de ser bem tolerada pelos animais testados.

Embora esses avanços sejam promissores, especialistas alertam que ainda há um longo percurso até que essa abordagem possa ser aplicada em tratamentos humanos de forma segura e efetiva, além de explorar sua potencialidade contra outros tipos de câncer. Mariano Barbacid, líder da equipe de pesquisa, ressaltou que, apesar de nunca terem sido obtidos resultados semelhantes antes, ainda não é possível iniciar testes clínicos com a terapia tripla.

Ele pontua que, mesmo com as limitações atuais, esses resultados podem abrir caminho para novas opções terapêuticas e melhorar as perspectivas de sobrevivência de pacientes com câncer de pâncreas em um futuro próximo. No que diz respeito ao diagnóstico, o câncer pancreático é notoriamente difícil de detectar precocemente, devido à ausência de sintomas nas fases iniciais e à semelhança com problemas digestivos comuns.

Segundo a médica Alexis Missick, do UK Meds, sinais iniciais incluem perda de peso inexplicada, coloração amarelada dos olhos e pele (icterícia), além de dores na região abdominal ou nas costas. Ela explica que a perda de peso ocorre porque o tumor pode comprometer a digestão, enquanto a icterícia surge quando o câncer bloqueia os ductos biliares, dificultando o fluxo de bile.

Missick também alerta que dores persistentes, que aumentam após refeições ou ao se deitar, representam sinais precoces de câncer de pâncreas e tendem a piorar à medida que o tumor cresce. Outros indicativos incluem urina de coloração escura e fezes mais claras, fenômenos relacionados ao bloqueio dos ductos biliares pelo tumor, desencadeando alterações na produção de bile e na eliminação de resíduos pelo organismo.