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Acidente
05/02/2026 09:00:00

Sindicato de Jornalistas condena ameaças e ações de intimidação durante cobertura de velório em Coité do Nóia

Entidade denuncia atitudes hostis de autoridades municipais que visaram silenciar profissionais de imprensa no momento de luto

Sindicato de Jornalistas condena ameaças e ações de intimidação durante cobertura de velório em Coité do Nóia

Na quarta-feira, dia 4, o Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (Sindjornal) emitiu uma nota oficial manifestando repúdio às ações do prefeito de Coité do Nóia, Bueno Higino, e de seus assessores, ocorridas durante a cobertura do velório das vítimas de um acidente envolvendo um ônibus de romeiros, na manhã de terça-feira, dia 3.

O incidente ocorreu na rodovia AL-220, na cidade de São José da Tapera, Sertão alagoano, e foi responsável por causar repercussão em todo o estado.

De acordo com a entidade, profissionais de imprensa foram confrontados com ameaças, intimidações e tentativas de repressão enquanto realizavam suas funções jornalísticas. Um episódio de destaque foi quando o secretário municipal de Cultura colocou a mão sobre a câmera de uma emissora ao vivo, sugerindo que o comando para interromper a transmissão teria vindo do próprio prefeito.

A atitude causou vergonha tanto para os profissionais quanto para o público telespectador. Além disso, após esse episódio, houve uma tentativa de expulsar os jornalistas do ginásio onde o velório acontecia. Outro momento de tensão envolveu uma equipe de reportagem que buscava registrar informações sobre a nota da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que indicava a ausência de documentação necessária do veículo envolvido na tragédia.

Os repórteres foram cercados por assessores da prefeitura, numa ação até então considerada inexplicável pelo sindicato.

A assinatura do documento por parte do Sindjornal reforça a solidariedade às famílias das vítimas e reconhece a delicadeza do momento, porém enfatiza que o acidente é de interesse público e deve ser tratado com transparência.

A entidade destaca que o trabalho da imprensa é vital para a apuração dos fatos e que profissionais não podem ser impedidos de exercer sua função constitucional.

“A atividade jornalística é fundamental para a democracia e não aceitaremos que comunicadores sejam agredidos ou silenciados”, afirma a diretoria do sindicato, que espera que episódios semelhantes não voltem a acontecer.

A íntegra da nota oficial diz o seguinte:

"NOTA DE REPÚDIO O Sindicato dos Jornalistas de Alagoas manifesta sua forte reprovação à maneira pela qual o prefeito de Coité do Nóia, Bueno Higino, coordenou o atendimento da imprensa durante o velório das vítimas do acidente com o ônibus de romeiros, muitos moradores da própria cidade.

Em meio ao luto nacional, um episódio lamentável foi a surpresa de vários colegas com ameaças, intimidações e tentativas de silenciamento enquanto cobriam o evento. O grau de hostilidade atingiu o ápice quando o secretário de Cultura colocou a mão sobre uma câmera de TV ao vivo, insinuando que o próprio prefeito teria ordenado a interrupção da transmissão.

Tal atitude causou desconforto entre espectadores e profissionais, sendo condenada por toda a categoria jornalística. Após esse ato, ainda tentaram expulsar os jornalistas do ginásio. Adicionalmente, uma equipe de reportagem que buscava cobrir a nota da ANTT, que apontava a ausência de documentação do veículo, foi cercada por assessores municipais, numa movimentação até agora sem justificativa plausível.

Reiteramos nossa solidariedade às famílias atingidas por essa tragédia e reconhecemos a sensibilidade do momento, mas ressaltamos que o evento possui interesse de âmbito público, impactando toda a sociedade brasileira.

A imprensa desempenha papel crucial ao divulgar informações e colaborar com as investigações. Não aceitaremos que os jornalistas de Alagoas sejam impedidos ou agredidos em razão do exercício de suas funções, pois defendemos uma comunicação livre, democrática e sem censura. Continuaremos garantindo nosso compromisso com a verdade e na esperança de que episódios assim não se repitam.

DIRETORIA DO SINDJORNAL"