Na quarta-feira, dia 4, o Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (Sindjornal) emitiu uma nota oficial manifestando repúdio às ações do prefeito de Coité do Nóia, Bueno Higino, e de seus assessores, ocorridas durante a cobertura do velório das vítimas de um acidente envolvendo um ônibus de romeiros, na manhã de terça-feira, dia 3.
O incidente ocorreu na rodovia AL-220, na cidade de São José da Tapera, Sertão alagoano, e foi responsável por causar repercussão em todo o estado.
De acordo com a entidade, profissionais de imprensa foram confrontados com ameaças, intimidações e tentativas de repressão enquanto realizavam suas funções jornalísticas. Um episódio de destaque foi quando o secretário municipal de Cultura colocou a mão sobre a câmera de uma emissora ao vivo, sugerindo que o comando para interromper a transmissão teria vindo do próprio prefeito.
A atitude causou vergonha tanto para os profissionais quanto para o público telespectador. Além disso, após esse episódio, houve uma tentativa de expulsar os jornalistas do ginásio onde o velório acontecia. Outro momento de tensão envolveu uma equipe de reportagem que buscava registrar informações sobre a nota da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que indicava a ausência de documentação necessária do veículo envolvido na tragédia.
Os repórteres foram cercados por assessores da prefeitura, numa ação até então considerada inexplicável pelo sindicato.
A assinatura do documento por parte do Sindjornal reforça a solidariedade às famílias das vítimas e reconhece a delicadeza do momento, porém enfatiza que o acidente é de interesse público e deve ser tratado com transparência.
A entidade destaca que o trabalho da imprensa é vital para a apuração dos fatos e que profissionais não podem ser impedidos de exercer sua função constitucional.
“A atividade jornalística é fundamental para a democracia e não aceitaremos que comunicadores sejam agredidos ou silenciados”, afirma a diretoria do sindicato, que espera que episódios semelhantes não voltem a acontecer.
A íntegra da nota oficial diz o seguinte:
"NOTA DE REPÚDIO O Sindicato dos Jornalistas de Alagoas manifesta sua forte reprovação à maneira pela qual o prefeito de Coité do Nóia, Bueno Higino, coordenou o atendimento da imprensa durante o velório das vítimas do acidente com o ônibus de romeiros, muitos moradores da própria cidade.
Em meio ao luto nacional, um episódio lamentável foi a surpresa de vários colegas com ameaças, intimidações e tentativas de silenciamento enquanto cobriam o evento. O grau de hostilidade atingiu o ápice quando o secretário de Cultura colocou a mão sobre uma câmera de TV ao vivo, insinuando que o próprio prefeito teria ordenado a interrupção da transmissão.
Tal atitude causou desconforto entre espectadores e profissionais, sendo condenada por toda a categoria jornalística. Após esse ato, ainda tentaram expulsar os jornalistas do ginásio. Adicionalmente, uma equipe de reportagem que buscava cobrir a nota da ANTT, que apontava a ausência de documentação do veículo, foi cercada por assessores municipais, numa movimentação até agora sem justificativa plausível.
Reiteramos nossa solidariedade às famílias atingidas por essa tragédia e reconhecemos a sensibilidade do momento, mas ressaltamos que o evento possui interesse de âmbito público, impactando toda a sociedade brasileira.
A imprensa desempenha papel crucial ao divulgar informações e colaborar com as investigações. Não aceitaremos que os jornalistas de Alagoas sejam impedidos ou agredidos em razão do exercício de suas funções, pois defendemos uma comunicação livre, democrática e sem censura. Continuaremos garantindo nosso compromisso com a verdade e na esperança de que episódios assim não se repitam.
DIRETORIA DO SINDJORNAL"