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31/01/2026 12:00:00

Estudo revela que alterações simples no sangue podem indicar risco aumentado de Alzheimer

Pesquisa da Universidade de Liverpool aponta que picos de glicose após refeições elevam em até 69% as chances de desenvolver a doença neurodegenerativa

Estudo revela que alterações simples no sangue podem indicar risco aumentado de Alzheimer

Uma pesquisa conduzida na Universidade de Liverpool revelou que um marcador presente no sangue pode indicar uma probabilidade quase 70% maior de desenvolver Alzheimer. O estudo aponta que os picos de açúcar no sangue, ocorridos aproximadamente duas horas após as refeições, estão relacionados ao aumento do risco.

A análise considerou dados de mais de 350 mil indivíduos entre 40 e 69 anos, constatando que quem apresentava aumentos de glicose após as refeições tinha maior predisposição a sofrer de transtornos cerebrais.

Especificamente, os participantes com elevações de glicose duas horas após se alimentarem tinham 69% mais chances de manifestar Alzheimer. No entanto, outros métodos de mensuração de glicose, como os níveis em jejum, não mostraram associações significativas com o risco da doença. A pesquisa foi publicada na revista científica Diabetes, Obesity and Metabolism. Andrew Mason, um dos principais autores do estudo, afirmou em comunicado que essa descoberta pode orientar futuras estratégias de prevenção, ressaltando a importância de monitorar o controle glicêmico especialmente após as refeições.

Segundo ele, níveis elevados de açúcar podem prejudicar os vasos sanguíneos cerebrais, aumentando as chances de problemas relacionados à memória e aprendizagem. A nutricionista Tanya Freirich acrescentou que o cérebro depende da glicose como fonte de energia. Portanto, danos nos vasos sanguíneos que dificultam essa provisão podem comprometer funções cognitivas essenciais. Além disso, a ingestão excessiva de glicose também pode afetar negativamente as atividades cerebrais.

Em relação à prevenção e ao controle do Alzheimer, a médica geral Tânia Lima destacou que certas condições de saúde aumentam a vulnerabilidade da pessoa, como diabetes tipo 2, obesidade, hipertensão e doenças cardiovasculares, que impactam diretamente a saúde cerebral. Ela também ressaltou que fatores como má qualidade do sono, ansiedade, depressão, poluição do ar e tabagismo podem agravar as chances de desenvolver a doença.

Tânia reforçou que, atualmente, ainda não há cura para o Alzheimer. Os tratamentos disponíveis visam apenas aliviar sintomas ou retardar o avanço da enfermidade. Portanto, adotar hábitos de vida saudáveis é fundamental para reduzir o risco.

Embora não exista uma prevenção definitiva, algumas ações podem ajudar a minimizar as chances de desenvolver a condição. A médica recomendou a prática regular de atividades físicas, como caminhar, nadar, dançar ou praticar artes marciais, pois essas ações fortalecem a circulação sanguínea, preservam a memória, melhoram a atenção e estimulam a plasticidade cerebral. Estímulos cognitivos também são essenciais.

Ler frequentemente, aprender novas línguas e resolver desafios de raciocínio são estratégias simples que mantêm o cérebro ativo e retardam o desgaste das células neurais. Além disso, manter uma rotina social ativa é importante. Relações sociais sólidas ajudam a proteger o cérebro contra doenças degenerativas, enquanto a solidão prolongada é considerada um fator de risco relevante.

A alimentação equilibrada desempenha papel vital na prevenção. Dietas ricas em legumes, verduras, frutas, peixes, azeite e oleaginosas estão associadas a um menor risco de demência. Tânia finalizou dizendo que, embora o Alzheimer não tenha cura, mudanças de estilo de vida podem diminuir as chances de sua ocorrência e atrasar a progressão da doença por meio de ações preventivas e hábitos saudáveis.