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Mundo
22/01/2026 00:00:00

Moçambique enfrenta agravamento de crise humanitária com aumento de desastres naturais e ameaças à saúde infantil

Inundações, escassez de alimentos e riscos de crocodilos descontrolados dificultam a resposta às catástrofes na região; UNICEF alerta para agravamento da situação com a chegada da temporada de ciclones

Moçambique enfrenta agravamento de crise humanitária com aumento de desastres naturais e ameaças à saúde infantil

Um cenário preocupante se desenha em Moçambique, onde aproximadamente meio milhão de pessoas enfrentam os efeitos de desastres recentes, uma quantidade que continua crescendo devido às intensas chuvas e às ações emergenciais, como a abertura de comportas de barragens para evitar rompimentos.

Segundo a chefe do Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) no país, Paola Emerson, o número de afetados deve aumentar ainda mais. As regiões do sul do país, especialmente Gaza, Maputo e Sofala, estão entre as mais prejudicadas. Emerson destacou que na cidade de Xai-Xai, a maioria da população — aproximadamente 90% — reside em construções de argila que se deterioram rapidamente após poucos dias de precipitações intensas.

Antes das inundações, a desnutrição crônica atingia quatro em cada dez crianças moçambicanas, uma estatística alarmante que reflete o impacto das dificuldades socioeconômicas enfrentadas pelo país. Além das destruições em residências, a infraestrutura de saúde, vias de transporte e outros serviços essenciais sofreram severos danos.

A Ocha relata que cerca de 5 mil quilômetros de estradas em nove províncias já estão comprometidos, dificultando o transporte de ajuda. A principal via de ligação do país, a Estrada Nacional nº 1, que conecta Maputo ao interior do território, encontra-se intransitável, interrompendo o fluxo de suprimentos. Para responder às emergências, o governo declarou estado de calamidade nacional e criou um centro de operações em Xai-Xai, próxima ao rio Limpopo.

Após a inundação da primeira localização, as equipes evacuaram o local e redirecionaram suas ações para a capital da província de Gaza, com alertas constantes sobre o perigo representado por crocodilos em áreas alagadas.

O aumento de ameaças à saúde infantil também complica o cenário. Guy Taylor, porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em Moçambique, alertou que a água contaminada, os surtos de doenças e a desnutrição representam riscos fatais para as crianças.

Ele enfatizou que, antes mesmo das enchentes, 40% das crianças já enfrentavam desnutrição crônica, aumentando a vulnerabilidade diante das calamidades atuais. A interrupção no fornecimento de alimentos, assistência médica e cuidados básicos intensifica a probabilidade de uma espiral de vulnerabilidade, colocando as crianças em risco de desfechos ainda mais graves.

Com a chegada da temporada anual de ciclones, as ações rápidas e eficazes são essenciais para evitar uma “crise dupla”, segundo Taylor, que reforça a necessidade de intervenções imediatas para prevenir mortes, doenças e perdas irreparáveis.

A frequência de eventos climáticos extremos, como enchentes e ciclones, tem aumentado nos últimos anos, afetando especialmente as populações mais jovens, cuja média de idade é de apenas 17 anos.

Este padrão recorrente ameaça não só a estabilidade do presente, mas também o futuro de uma nação já fragilizada por crises anteriores.