Na manhã desta terça-feira, o governo israelense deu início às ações de destruição na sede da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA), localizada em Jerusalém Oriental, numa operação que a organização descreveu como um 'ato sem precedentes'.
Imagens do local mostram máquinas pesadas destruindo as estruturas do complexo, onde uma bandeira de Israel foi hasteada sobre o edifício. Segundo relatos de um repórter da AFP, o ministro israelense da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, realizou uma breve visita ao local e declarou: 'Este é um dia marcante, de celebração e de grande importância para o governo de Jerusalém'.
Ben Gvir afirmou ainda que, após anos de presença de apoiadores do terrorismo, o espaço está sendo limpo, e que essa ação simboliza o que acontecerá com todos os simpatizantes do Hamas. Ele destacou que o complexo, que havia sido utilizado pela UNRWA, não possui imunidade e que sua propriedade pertence a Israel, reforçando que a operação foi feita de acordo com a legislação vigente.
Desde janeiro de 2025, o local não abriga mais funcionários da agência, após uma lei que proibiu suas atividades na área, resultante de meses de debates sobre o papel da UNRWA na Faixa de Gaza. O Ministério das Relações Exteriores de Israel informou que a operação foi conduzida em conformidade com o direito nacional e internacional, alegando que a propriedade foi apreendida por razões legais.
O complexo, anteriormente localizado em Jerusalém Oriental, foi anexado por Israel após sua ocupação da região. Apesar disso, a UNRWA continua a operar na Cisjordânia e em Gaza. Em dezembro passado, o chefe da agência, Philippe Lazzarini, denunciou a apreensão de bens no local, que, segundo ele, fazia parte de uma operação de cobrança de dívidas.
Na publicação feita por Lazzarini na plataforma X (antigo Twitter), o representante da UNRWA afirmou que objetos como móveis e equipamentos de informática foram levados pelos oficiais israelenses, enquanto a bandeira da ONU foi substituída por uma de Israel. O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou veemente condenação pela entrada não autorizada e reiterou que o complexo deve permanecer inviolável, pois abriga instalações das Nações Unidas protegidas por imunidade.
O Ministério israelense reforçou que a ação não representa uma mudança na política oficial, mas a aplicação de leis existentes relacionadas à UNRWA e ao Hamas. Ressaltou também que o complexo, que já não operava desde o início do ano, foi alvo de uma intervenção legal que incluiu a apreensão de bens.
Essa operação levanta preocupações sobre a segurança e a imunidade de instalações internacionais em áreas de conflito, com possíveis repercussões para outras organizações que atuam em contextos similares ao redor do mundo.