Entre janeiro e setembro de 2025, o estado de Alagoas registrou 30,8 mil nascimentos, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Destes, aproximadamente 18 mil ocorreram por meio de cirurgias cesáreas, enquanto 12,8 mil ocorreram por parto vaginal. Essa proporção indica que, atualmente, 58,1% das gestantes optam pela cesariana, frente a 41,8% que realizam parto natural.
A prevalência de cesarianas em Alagoas reflete uma tendência nacional contínua, já que, em 2024, o estado apresentou uma relação de 58% de cesáreas contra 41,9% de partos vaginais. No Brasil, o período de janeiro a setembro de 2025 contabilizou mais de 1,5 milhão de partos, sendo 606,9 mil por via vaginal e 960,7 mil por cesárea.
Nos anos anteriores, o número de partos manteve-se elevado: 2,3 milhões em 2024, com maior incidência de cesáreas (1,4 milhão), e 2,5 milhões em 2023, com pouco mais de um milhão de partos normais.
De acordo com a obstetra do Hospital da Mulher, Ianara Lemos, a baixa procura pelo parto natural está relacionada à falta de estímulo e informação durante o pré-natal. Segundo ela, a cultura popular ainda associa a cesariana a um procedimento mais seguro, sem dor e com menor risco, enquanto o parto normal é visto como uma experiência de sofrimento.
A cirurgia cesariana, procedimento de grande porte, apresenta riscos como hemorragias, infecções no pós-parto, lesões em órgãos internos e dificuldades na amamentação inicial. Em contrapartida, o parto vaginal, embora também possa gerar lacerações, hemorrhagens menores e infecções, proporciona uma recuperação mais rápida, fortalece o vínculo entre mãe e recém-nascido e favorece a primeira fase do aleitamento materno, explica Ianara.
Para preparar as gestantes para o parto normal, o conhecimento é considerado fundamental. Suzangela Mendonça, enfermeira obstétrica e coordenadora técnica de atenção à saúde da mulher em Maceió, ressalta a importância de fatores como a redução da taxa de natalidade, o direito da mulher de escolher o método de parto, aspectos culturais e condições clínicas do bebê e da mãe.
Ela acrescenta que a preparação pode começar durante o pré-natal na rede pública, incluindo ações como o vínculo da gestante com a maternidade onde realizará o parto. Visitas durante o acompanhamento gestacional aumentam a confiança e tranquilidade das futuras mães. Em 2024, o estado de Alagoas registrou 45,6 mil partos, com 58% de cesáreas e 41,9% de partos normais.
No cenário nacional, o período de janeiro a setembro de 2025 apresentou uma soma de mais de 1,5 milhão de nascimentos, divididos entre 606,9 mil partos vaginais e 960,7 mil cirurgias cesáreas. Os anos anteriores também apontaram altos índices: 2,3 milhões de nascimentos em 2024 e 2,5 milhões em 2023, com prevalência de cesáreas.
No caso da mãe Eduarda Barros, que deu à luz Maria em outubro do ano passado, o esforço foi dedicado ao preparo para o parto natural. Ela realizou pilates, fisioterapia pélvica e estudou bastante na tentativa de evitar a cirurgia.
Apesar disso, a equipe médica optou pela cesariana devido à hipertensão arterial no final da gestação, considerada uma condição de risco para mãe e bebê. Eduarda conta que a experiência não foi fácil, especialmente por causa da anestesia, que a deixou vulnerável, além de a recuperação ser lenta devido às múltiplas camadas cortadas. Ainda assim, ela enfatiza que sua decisão visava a saúde da filha, seguindo as orientações médicas e aceitando a escolha com compreensão.