19/10/2020 17:53:04

Saúde
05/09/2020 01:00:00

7 em cada 10 brasileiros dependem do SUS para tratamento, diz IBGE


7 em cada 10 brasileiros dependem do SUS para tratamento, diz IBGE

Sete em cada dez brasileiros dependem exclusivamente do SUS (Sistema Único de Saúde) para atendimentos de saúde, revelou uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira (4) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), referentes a 2019. 

Esse número representa mais de 150 milhões de pessoas, ou seja, 74% da população têm no sistema público de saúde sua única possibilidade para atendimento hospitalar, tratamentos e outros serviços de saúde.

No ano passado, portanto antes da crise causada pela pandemia do coronavírus, apenas 28,5% da população do país, ou 59,7 milhões de pessoas, possuíam algum plano de saúde, seja médico ou odontológico. Entre os que possuem apenas planos médicos, a proporção cai para 26%. 

"As estimativas da Pesquisa Nacional de Saúde 2019 apontam, também, uma relação direta entre a cor ou raça e nível de instrução e a cobertura de plano de saúde, destacando-se, nesse sentido, as pessoas brancas ou com ensino superior com as maiores proporções de cobertura", diz o IBGE.

Não houve mudança significativa nos dados em comparação à última pesquisa sobre o tema, publicada em 2013 pelo IBGE. 

Na população com renda mais baixa, com rendimento mensal de até um quarto de salário mínimo (cerca de R$ 250), somente 2,2% tinham plano de saúde médico. Já na faixa de mais de cinco salários mínimos (mais de R$ 5 mil), 86,8% tinham plano.

Além disso, a pesquisa mostra a desigualdade entre as regiões do Brasil: Sudeste, Sul e Centro-Oeste registram maiores proporções de pessoas com planos de saúde, enquanto que Norte e Nordeste têm as menores proporções de cobertura dos planos de saúde complementar.

São Paulo e o Distrito Federal apresentam proporções de pessoas com planos médicos particulares muito acima da média nacional, sendo 38,4% e 37,4%, respectivamente. 

Dentre as menores proporções, estão os estados do Maranhão (5%), Roraima (7,4%), Acre (8,3%) e Amapá (8,7%).

"A gente viu que [a proporção de planos de saúde] está diretamente relacionada com o rendimento das pessoas. O plano de saúde é um serviço de luxo, um serviço caro, e, quando a gente tem o SUS para atender, o plano não é a prioridade quando a pessoa tem de fazer escolhas", diz a pesquisadora do IBGE Maria Lucia França Pontes Vieira, que é coordenadora de trabalho e regimento da pesquisa.

O IBGE também verificou que “quanto mais elevado o grau de instrução, maior também a cobertura de plano de saúde, variando, abruptamente, de 16,1% (sem instrução ou com ensino fundamental incompleto) a 67,6% (nível superior completo)”.

Saneamento básico e coleta de lixo

O levantamento também mostra a desigualdade nas regiões Norte e Nordeste em relação ao acesso ao saneamento e à coleta de lixo. De cada dez residências visitadas na região Norte, por exemplo, apenas duas têm rede geral de esgoto ou fossa séptica e banheiro exclusivo. Esse percentual é de 88,7% na região Sudeste.

Neste ano, o Congresso aprovou um novo marco do saneamento, que pretende universalizar o tratamento de esgoto e água até 2033 no Brasil.

"As questões de saneamento são vitais em relação à saúde, na questão das doenças, verminoses, endemias, da água que a pessoa está bebendo", afirma Maria Lucia Vieira. "É fundamental para as questões de saúde da população que haja um planejamento. É uma obra de infraestrutura mais demorada, mais cara, que não vem avançando nos últimos anos”.

No caso da coleta de lixo, a desigualdade entre as regiões é semelhante, com as regiões Norte e Nordeste apresentando taxas menores que o restante do país. Os dados mostram que 97,1% dos domicílios tiveram coleta de lixo no Sudeste, em 2019. No Norte, 80,4% das residência tiveram coleta.

Yahoo Notícias



Enquete
Você é favorável a privatização do SAAE de União dos Palmares?
Total de votos: 69
Google News