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Atualidade
03/02/2026 02:00:00

Sociedade Civil Propõe Código Ético para Magistrados do Supremo Tribunal Federal

Mais de 50 organizações civis apoiam a iniciativa da OAB-SP, que será entregue ao presidente Fachin

Sociedade Civil Propõe Código Ético para Magistrados do Supremo Tribunal Federal

Um conjunto de mais de cinquenta entidades da sociedade civil se uniu para promover a criação de um Código de Conduta ética direcionado aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e demais tribunais superiores, numa ação destinada a reforçar os padrões de comportamento dentro do sistema judiciário brasileiro. A proposta será oficialmente apresentada ao chefe do tribunal, Edson Fachin.

Na manhã desta segunda-feira, após o período de recesso do Judiciário, grupos civis reforçaram seus esforços por maior transparência, integridade e responsabilidade nas altas instâncias do Poder Judiciário. Como parte dessas iniciativas, foi divulgado o Manifesto por Diretrizes Claras de Conduta nos Tribunais Superiores, assinado por 53 organizações, incluindo o Livres, a Transparência Brasil, o Movimento Orçamento Bem Gasto e o Movimento Pessoas à Frente.

O documento apoia a sugestão da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), que elaborou uma proposta com contribuições de ex-ministros do STF, como Ellen Gracie e Cezar Peluso, além de juristas de destaque como Miguel Reale Jr. e José Eduardo Cardoso, estes últimos tendo posições divergentes durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Este movimento reivindica a implementação de um Código de Conduta para magistrados do STF e tribunais superiores, uma prática comum em democracias avançadas como Alemanha, Reino Unido, Canadá e Estados Unidos, e que visa promover maior integridade na atuação judicial.

A iniciativa conta ainda com o apoio de nomes relevantes no cenário econômico brasileiro, incluindo Armínio Fraga, Guilherme Leal, Jayme Garfinkel, José Luis Egydio Setubal e Wolf Klabin. Segundo Magno Karl, diretor-executivo do Livres e especialista em ciência política, “ninguém deve se colocar acima de princípios éticos ou da legislação, especialmente aqueles que atuam no Judiciário”.

Este movimento ocorre em um momento em que a credibilidade do STF e dos tribunais superiores enfrenta uma crise crescente, provocada por episódios recorrentes de condutas questionáveis e conflitos de interesses, incluindo casos relacionados à liquidação do Banco Master.

O documento de reivindicação critica a ausência de regras claras e de mecanismos eficientes de fiscalização, fatores que contribuíram para a perda de confiança da população nas instituições e no sistema democrático globalmente.

Sete Diretrizes Fundamentais do Código de Ética

O texto apresenta sete pilares essenciais para assegurar a integridade e autonomia do Judiciário:

  • Imparcialidade Verdadeira: Obrigação de declarar conflitos de interesse, recusando-se a julgar processos que envolvam vínculos pessoais ou ideológicos.
  • Controle de Benefícios: Normas rígidas contra vantagens indevidas, hospitalidades ou benefícios que possam comprometer a reputação do magistrado.
  • Proteção Contra Conflitos Familiares: Medidas que previnam conflitos envolvendo parentes atuando em escritórios de advocacia com casos no tribunal.
  • Comunicação Moderada: Comportamento equilibrado nas redes sociais e eventos públicos, evitando declarações de cunho político-partidário ou antecipação de decisões judiciais.
  • Regulamentação do Ensino Jurídico: Normas para palestras e eventos pagos realizados por entidades com interesse em processos judiciais.
  • Transparência Extensiva: Divulgação padronizada de agendas, patrimônios, vínculos acadêmicos e recusas a convites externos.
  • Fiscalização Independente: Criação de um órgão autônomo responsável por monitorar o cumprimento dessas regras.

Além do apoio de diversas organizações signatárias, o manifesto está disponível para adesões de novas entidades e indivíduos através de uma plataforma digital. O objetivo é ampliar a participação social na defesa de uma cultura institucional que valorize a ética e fortaleça o sistema democrático, independentemente de posicionamentos políticos ou ideológicos.