A Universidade Federal de Alagoas (Ufal), por meio da Comissão de Residência em Saúde (Coremu) e da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propep), lançou um novo edital destinado ao Programa de Residência Multiprofissional na área de Saúde para o período de 2026 a 2028. Essa iniciativa visa profissionais que atendem às demandas específicas de Pessoas Trans, Assentadas e Refugiadas (PTRA), incluindo critérios de cotas afirmativas.
As inscrições podem ser realizadas até a próxima terça-feira, dia 3, e o edital completo está disponível no site oficial. O programa busca preencher vagas nas áreas de Enfermagem, Farmácia e Fisioterapia, com uma vaga reservada para cada especialidade. Os candidatos interessados devem passar por duas etapas para participar da seleção.
A primeira requer que o participante seja inscrito no Exame Nacional de Residência (Enare) 2025/2026, optando por uma das profissões oferecidas na Ufal. Após essa fase, os candidatos deverão fazer a inscrição no portal da Copeve/Ufal, escolhendo a mesma área de atuação selecionada na prova do Enare. É fundamental que a mesma profissão seja selecionada nas duas etapas, garantindo a correspondência entre exame e inscrição. As atividades de residência ocorrerão principalmente no Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HU/Ufal) e na Unidade Docente Assistencial (UDA/Ufal).
Os participantes receberão uma bolsa mensal de R$ 4.106,09, com uma carga de trabalho de 60 horas semanais, sob regime de dedicação exclusiva, de acordo com as normativas da Comissão Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde, vinculada ao Ministério da Educação. O início das atividades está previsto para 2 de março de 2026, com duração de dois anos. Segundo Glaucevane Guedes, responsável pela coordenação da Coremu e do programa, a iniciativa de incluir cotas afirmativas é uma das ações mais relevantes promovidas pela universidade e tem reconhecimento nacional.
"O Enare já contempla cotas para pessoas pretas, pardas, quilombolas, indígenas e pessoas com deficiência. Além dessas, na política de ações afirmativas da Ufal, reservamos vagas para pessoas trans, refugiadas e assentadas.
Anualmente, realizamos esse edital para ampliar o acesso a esses grupos, que representam uma parcela importante do nosso público-alvo. As provas fazem parte de um movimento nacional, e a universidade se destaca por sua resolução própria que garante o ingresso tanto na graduação quanto na pós-graduação. Essas políticas são essenciais para democratizar o acesso à educação superior", afirmou. Após o período de inscrições, a Copeve convocará os candidatos para apresentarem os documentos que comprovem as condições para as quais estão concorrendo. Glaucevane explicou que, embora a nota do Enare seja determinante para a classificação, a análise da documentação é obrigatória para efetivar a inclusão no programa.
"A Copeve também é responsável por validar a documentação que comprova o atendimento aos critérios das cotas. Com base nisso, eles nos enviam a lista dos candidatos aptos a ingressar", ressaltou. Para candidatos autodeclarados transgênero, transexuais ou travestis que concorrem às vagas reservadas, é necessário encaminhar, quando convocados, o Anexo II do edital devidamente preenchido e assinado, além de comprovar renda de até um salário mínimo e meio per capita e conclusão do ensino médio em escola pública, por meio de histórico escolar, certificado ou declaração.
Além disso, será exigida uma declaração de uma entidade reconhecida, como o Conselho Estadual de Políticas Públicas de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, ou outros órgãos públicos que atuem na área de diversidade sexual e de gênero, confirmando a identidade de gênero do candidato, assinada pelo responsável pela organização e por duas testemunhas. Candidatos refugiados precisarão apresentar documento emitido pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), devidamente homologado pelo governo brasileiro, juntamente com todos os documentos digitalizados em formato PDF necessários para verificação.
Já os candidatos assentados deverão apresentar documentação que comprove residência em assentamentos de reforma agrária, emitida por unidades agrárias do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), além de comprovação de renda igual ou inferior a um salário mínimo e meio por pessoa e de conclusão do ensino médio em escola pública.
Para mais informações sobre cronogramas, etapas e requisitos, os interessados podem consultar o edital disponível no site oficial ou procurar a Secretaria da Coremu, localizada no HUPAA. Em caso de dúvidas, os candidatos também podem entrar em contato por e-mail através do endereço coremu.ufal@gmail.com.