Na mais recente ação contra grupos criminosos transnacionais, a China confirmou a execução de 11 pessoas condenadas por integrarem operações de fraudes telemáticas no país asiático, envolvendo atividades ilegais em Mianmar. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (29/01) pela mídia estatal chinesa.
Esses indivíduos receberam sentença de morte em setembro passado, após terem seus casos analisados por um tribunal de Wenzhou, na província de Zhejiang, localizada na parte leste do território chinês, conforme a agência de notícias Xinhua.
Entre os condenados, estavam membros do que a imprensa denominou como “grupo criminoso da família Ming”. As acusações incluem homicídio intencional, lesões corporais graves, cárcere privado, fraudes diversas e operações de cassinos ilegais, todos considerados crimes graves pela Justiça chinesa.
As investigações apontam que esse núcleo criminoso estabeleceu múltiplas bases de operação na vizinha Mianmar, onde promoviam golpes em telecomunicações, gerenciavam cassinos clandestinos e praticavam outros ilícitos desde 2015. Segundo o Supremo Tribunal Popular (STP), os fundos movimentados por essas atividades ultrapassaram a marca de 10 bilhões de yuans (equivalente a aproximadamente R$ 7,3 bilhões).
Além das fraudes, os grupos também cometeram crimes de assassinato, agressão e detenção ilegal de indivíduos envolvidos em esquemas fraudulentos, ocasionando a morte de 14 chineses e ferindo outros, conforme relato da agência Xinhua.
As operações clandestinas de fraude, especialmente nas regiões fronteiriças do Sudeste Asiático, como Tailândia, Camboja e Myanmar, vêm crescendo, com esses centros ilícitos sendo frequentemente controlados por estrangeiros, incluindo cidadãos chineses. Muitos trabalhadores desses esquemas alegam ter sido vítimas de tráfico humano, obrigados a atuar em golpes online sob coação. Em 2024, a Tailândia resgatou milhares de pessoas presas nesses centros em território mianmarense.
A Organização das Nações Unidas estima que mais de 100 mil indivíduos estejam confinados nesses centros de fraude digital, vivendo sob condições semelhantes à escravidão, com brasileiros sendo recrutados para trabalhar nesses locais por meio de esquemas ilegais.
Nos últimos anos, a colaboração de Pequim com os países do Sudeste Asiático para desmantelar essas fábricas cresceu significativamente. Especialistas apontam que grande parte dessas operações é comandada por organizações chinesas que atuam em parceria com milícias locais em Mianmar. Como resultado dessas ações, dezenas de milhares de pessoas foram deportadas para a China. Em 2025, mais de 7.600 suspeitos de crimes relacionados a fraudes e jogos ilegais foram trazidos de volta da cidade de Myawaddy, próxima à fronteira com a Tailândia.
Recentemente, o empresário chinês Chen Zhi foi extraditado do Camboja para a China. Os Estados Unidos acusam Zhi de liderar o Prince Holding Group, um dos maiores conglomerados do país do sudeste asiático, considerado por Washington como fachada de uma das maiores redes criminosas transnacionais na Ásia.
Em abril, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime alertou para a rápida expansão da criminalidade digital globalmente, destacando que centenas de milhares de pessoas estão empregadas em fábricas de golpes ao redor do mundo, reforçando a necessidade de cooperação internacional no combate a essas organizações ilícitas.