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Economia
28/01/2026 16:00:00

Declínio de Riquezas no Brasil em 2025 e Continuação da Fuga de Patrimônio na América Latina

Movimentos de capitais de altas fortunas permanecem intensos na região devido às incertezas políticas e econômicas

Declínio de Riquezas no Brasil em 2025 e Continuação da Fuga de Patrimônio na América Latina

De acordo com a consultoria Henley & Partners, o Brasil perdeu aproximadamente 1.200 indivíduos bilionários em 2025, enquanto países como Colômbia e México também enfrentaram saídas significativas de seus ultra-ricos, com cerca de 150 milionários deslocando-se de cada um e aproximadamente 100 na Argentina.

Segundo Michel Soler, responsável regional pela Henley & Partners, a instabilidade no cenário geopolítico e a busca por maior segurança patrimonial continuam impulsionando uma migração constante de grandes fortunas para fora da América Latina, processo que deve persistir até 2026 em quatro das principais economias locais.

A tendência de evasão de capital tende a se intensificar especialmente em nações como Brasil, México, Colômbia e Argentina, enquanto outros países da região começam a aparecer como novos polos de atração para investidores internacionais. Parte do capital que deixa esses países não se dirige imediatamente às principais bolsas globais, mas faz escalas em destinos intermediários.

Em 2025, os Estados Unidos, principalmente a Flórida, além da Espanha e Portugal, figuraram como destinos preferenciais, de acordo com análises do setor. Michel Soler explica que as elites econômicas da região preferem jurisdições com estabilidade, segurança jurídica e processos de planejamento patrimonial e sucessório eficientes e previsíveis.

Reformas fiscais, oscilações cambiais e instabilidade política continuam sendo fatores que levam esses indivíduos a transferir seus patrimônios para outros países. Dados recentes da Oxfam indicam que, no último novembro, a América Latina tinha 109 bilionários, 14 a mais do que no ano anterior.

A riqueza total desses indivíduos atingiu US$ 622,9 bilhões, uma soma próxima ao Produto Interno Bruto combinado do Chile e Peru. Desde 2000, o patrimônio agregado desses bilionários cresce em média US$ 54 milhões por dia, enquanto cada um desses indivíduos viu seu patrimônio aumentar cerca de US$ 491 mil por dia ao longo de 25 anos.

Na Colômbia, o cenário para 2026 é marcado por incertezas políticas, sobretudo por conta de eleições legislativas em março e do primeiro turno presidencial em maio, levando os investidores a diversificarem suas posições antes de possíveis instabilidades maiores, explica o especialista em migração, John Sánchez.

Ele acredita que o Brasil mantém uma forte pressão de saída de capitais devido à combinação de insegurança, instabilidade e dificuldades na elaboração de planejamentos patrimoniais internacionais.

Quanto ao México, há um quadro de oportunidades relacionadas ao nearshoring, embora desafios de segurança e polarização política sejam obstáculos. Para a Argentina, mesmo com esforços de estabilização, os grandes investidores permanecem cautelosos, reagindo de forma defensiva às saídas de dólares e à fragilidade das reservas internacionais.

Sánchez acrescenta que 2026 não deve ser um ano de maior tranquilidade para os investidores argentinos, enquanto a Venezuela apresenta uma dinâmica distinta, marcada por migrações em massa e uma busca por segurança jurídica e acesso ao sistema bancário internacional. Soler destaca que a instabilidade global, os conflitos e as tensões políticas são fatores decisivos na contínua fuga de milionários ao redor do mundo.

Além disso, a busca por segurança, qualidade de vida e melhores oportunidades econômicas motiva esses movimentos. A pressão tributária, o risco cambial, os controles de capital e a necessidade de acesso a mercados globais também influenciam essa tendência. Ele observa que vários países adotaram programas de residência por investimento para atrair esses investidores, facilitando a relocação de famílias para destinos considerados mais seguros e favoráveis.

Com a aproximação de 2026, ano eleitoral em diversos países latino-americanos, a influência de fatores políticos se tornará ainda mais significativa na mobilidade de capitais. Sánchez comenta que a migração de milionários reflete mudanças estratégicas no planejamento, incluindo onde pagar impostos, como estruturar patrimônios, adquirir imóveis, estabelecer escritórios familiares ou preparar a educação de seus filhos, todos elementos que determinam o fluxo de recursos.

A Henley & Partners também aponta que, em 2025, países da América Central como Costa Rica e Panamá passaram a registrar fluxos positivos de fortunas elevadas, sinalizando uma mudança de cenário que poderia se intensificar em 2026. Estimativas indicam que, no último ano, aproximadamente 350 milionários migraram para Costa Rica e 300 se fixaram no Panamá.

Além disso, espera-se que a região atraia mais indivíduos com alto patrimônio líquido, especialmente Costa Rica, Panamá e Uruguai, devido à combinação de alta qualidade de vida, segurança e baixas cargas fiscais, segundo Andrew Amoils, da New World Wealth. Apesar da tendência de fuga, as economias maiores, como Brasil, México e Colômbia, poderão compensar essa perda ao atrair capital de setores tecnológicos de alto valor, influenciando positivamente a mobilidade de grandes fortunas na região.