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Acidente
28/01/2026 10:00:00

Valor do dólar atinge menor patamar desde o início de 2024 e impulsiona o mercado de ações brasileiro

Oscilação cambial favorece a Bolsa, enquanto o real se valoriza face à moeda americana em meio a cenário internacional e a estabilidade de juros domésticos

Valor do dólar atinge menor patamar desde o início de 2024 e impulsiona o mercado de ações brasileiro

Na terça-feira, 27 de fevereiro, a moeda norte-americana apresentou uma significativa queda, fechando seu menor valor desde o final de maio de 2024. A cotação do dólar recuou 1,38%, encerrando a sessão a R$ 5,2067, após atingir uma mínima de R$ 5,1987 na última hora de negociações.

Durante a tarde, a operação cambial permaneceu consistentemente abaixo de R$ 5,20. Após uma alta de 2,89% registrada em dezembro, o dólar acumula uma redução de 5,14% em janeiro.

Este movimento reflete o enfraquecimento da moeda americana em escala global, o fluxo de capitais estrangeiros para a Bolsa brasileira e as expectativas relacionadas às taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos.

O valor do dólar caiu 11,18% em 2025, marcando a maior depreciação anual desde 2016. Segundo especialistas, isso reforça a percepção de uma perda de força da moeda americana no cenário internacional.

No pregão desta terça, o aumento de mais de 2% nos preços do petróleo e o apetite por ativos de risco em mercados emergentes atraíram recursos para o Brasil, especialmente para ações. Dados preliminares indicam que o fluxo de investimento estrangeiro na B3 já ultrapassou R$ 15,7 bilhões neste ano.

No âmbito doméstico, a inflação controlada e a manutenção dos juros elevam a atratividade do real. O índice IPCA-15 de janeiro veio abaixo do esperado pelo mercado, fortalecendo a perspectiva de início de um ciclo de redução na taxa Selic a partir da reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom).

A expectativa para a ‘Super Quarta’, quando o Copom e o Federal Reserve anunciam suas decisões de política monetária simultaneamente, é pela manutenção das taxas de juros tanto no Brasil quanto nos EUA.

Analistas afirmam que o diferencial de juros, aliado ao patamar elevado da taxa doméstica, estimula operações de carry trade e sustenta a demanda pela moeda brasileira. De acordo com Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora, a atual dinâmica reflete uma realocação de carteiras para mercados emergentes. Velloni destaca que o real se beneficia da migração de recursos dos Estados Unidos, agravada pelo desgaste na política econômica e comercial americana.

Além disso, espera-se que o Banco Central seja cauteloso ao reduzir os juros, início previsto para março. No cenário internacional, o dólar enfraquece globalmente, com o índice DXY atingindo seu nível mais baixo desde fevereiro de 2022. O euro e a libra esterlina alcançaram os maiores valores relativos ao dólar desde 2021. O iene também ganhou força após declarações da ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, que afirmou que adotará ‘medidas apropriadas’ no mercado cambial, mantendo contato próximo com os Estados Unidos.

Relatos do Wall Street Journal indicam que o Federal Reserve de Nova York entrou em contato com possíveis parceiros comerciais na sexta-feira para verificar taxas de câmbio, alimentando especulações sobre uma intervenção coordenada entre Washington e Tóquio para sustentar o iene.

Mais tarde, o presidente Donald Trump declarou que gostaria de ver novas reduções nas taxas de juros nos EUA e destacou que o dólar está em um ‘ótimo valor’. Ainda assim, as projeções indicam quase unanimidade de que o Federal Reserve manterá os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano na reunião de quarta-feira, após três cortes de 25 pontos-base.

O Banco Central americano enfrenta críticas constantes de Trump, e há receios de que intervenções na política monetária possam ocorrer em caso de mudança na liderança da instituição. Jerome Powell, atual presidente, cujo mandato termina em maio, é considerado potencialmente substituível por Trump.

Segundo André Galhardo, economista-chefe da análise econômica, as recentes manifestações da equipe econômica da Casa Branca indicam maior disposição para aceitar um dólar mais fraco.

Galhardo observa que a queda do índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a seis moedas fortes, atingiu seu maior ritmo desde 2011, contribuindo para a valorização do real, que se beneficia também do fluxo externo favorável às aplicações brasileiras de renda fixa e variável.

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, voltou a subir nesta terça, atingindo uma nova máxima histórica de aproximadamente 183 mil pontos durante as negociações. Após uma sequência de quatro sessões consecutivas de recordes, o índice fechou em alta de 1,79%, aos 181.919,13 pontos, com volume de R$ 35,3 bilhões. Na semana, acumula ganho de 1,71%, e no mês, perto de 13%, com uma valorização de 12,91%.

Desde 14 de janeiro, o índice registra sua sétima marca de fechamento recorde, avançando desde os 164,4 mil pontos do fechamento de 4 de dezembro. As maiores contribuições nesta terça vieram do setor financeiro, com o Santander Unit subindo até 3,18%, e do segmento de commodities, liderado pela Vale ON, que avançou 2,20%. As ações da Petrobras também tiveram desempenho positivo, com alta de 2,80% na ON e 2,18% na PN, acompanhando a valorização de quase 3% nos contratos futuros de petróleo negociados em Londres e Nova York.