O mês do Janeiro Branco tradicionalmente serve como um alerta para discutir a importância da saúde emocional, mas recentes estatísticas evidenciam que o tema deixou de ser uma preocupação pontual, tornando-se um desafio estrutural no cotidiano corporativo.
Dados da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt) revelam que aproximadamente 30% dos trabalhadores no Brasil enfrentam a síndrome de burnout, uma condição de exaustão física e emocional associada ao estresse prolongado no ambiente de trabalho.
O país ocupa a segunda posição mundial em número de diagnósticos, ficando atrás apenas do Japão. Essa realidade demonstra que o problema transcende o âmbito individual, já que doenças mentais como ansiedade, depressão e burnout figuram entre as principais razões para afastamentos profissionais no Brasil.
Essa tendência aumenta a pressão sobre o sistema de saúde e sobre as estratégias de gestão de pessoas. Na percepção de Cecília Seabra, especialista em recursos humanos e comunicadora, a situação reforça a necessidade de repensar a abordagem da comunicação organizacional.
Para ela, essa prática não deve ser vista como mero suporte às estratégias empresariais, mas como uma ferramenta fundamental que transmite mensagens que influenciam a segurança psicológica, o bem-estar dos funcionários e sua experiência dentro e fora do ambiente de trabalho.
Elementos como a escuta ativa dos colaboradores, uma linguagem clara em momentos de crise, a coerência entre discurso e ações gerenciais, além da definição e comunicação transparente de metas, são fatores essenciais que moldam o clima emocional das equipes.
Quando as organizações tratam a comunicação apenas como um apoio secundário, perdem a oportunidade de utilizá-la como um instrumento de cuidado e atenção contínuos, que vai além de ações pontuais de conscientização e se integra às relações humanas diárias. Nesse contexto, o mês do Janeiro Branco pode representar mais do que uma data simbólica; pode servir de estímulo para que as empresas revisem seus processos de comunicação e gestão.
Como lembra Cecília, reconhecer que tudo se baseia em pessoas — que trabalham, aprendem, consomem e vivem — é fundamental para promover ambientes mais saudáveis, capazes de influenciar positivamente a saúde mental e a qualidade de vida de todos.