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27/01/2026 12:00:00

Aumento de casos de cálculos renais no verão: causas e prevenção

Temperaturas elevadas elevam incidência de pedras nos rins em até 30%, alerta especialista

Aumento de casos de cálculos renais no verão: causas e prevenção

Durante os meses de temperaturas extremas, há uma elevação de até 30% nas ocorrências de cálculos renais, popularmente conhecidos como pedras nos rins, especialmente nos centros de emergência.

Essa elevação está relacionada ao aumento da desidratação e a hábitos alimentares inadequados que se intensificam na estação mais quente do ano. Estima-se que aproximadamente 15% da população mundial seja afetada por esse problema, sendo que cerca de 1,5 milhão de brasileiros convivem com alguma forma de disfunção renal.

No entanto, o cenário torna-se ainda mais preocupante com o calor intenso, que potencializa a incidência de atendimentos relacionados às pedras nos rins, conforme levantamento do Centro de Referência em Saúde do Homem, localizado em São Paulo. Especialistas explicam que o vínculo entre altas temperaturas e crises renais não é acidental.

O nefrologista Alexandre Bignelli, responsável pelo Serviço de Transplantes Renais do Hospital Universitário Cajuru, revela que fatores como a desidratação causada pelo suor excessivo, a ingestão insuficiente de líquidos, além do aumento no consumo de bebidas refrigerantes e alimentos ricos em açúcar, contribuem para o agravamento da situação. A ingestão excessiva de proteínas, alimentos muito salgados e doces atua como acelerador na formação de cálculos.

Isso ocorre porque os rins precisam trabalhar mais para concentrar a urina e manter o equilíbrio hídrico do corpo, favorecendo a cristalização de sais e a formação de pedras. Um grande desafio na identificação do cálculo renal é a sua evolução silenciosa. Na maior parte dos casos, as pedras se formam sem causar sintomas evidentes até atingirem um tamanho que provoca deslocamento pelas vias urinárias.

Esse movimento pode gerar obstruções temporárias ou exigir procedimentos invasivos, incluindo cirurgias ou instalação de cateteres para drenagem. Segundo especialistas, o principal sinal de alerta é a cólica renal, que se manifesta por dores intensas ou desconforto na região lombar, abdômen inferior ou na área genital.

Em situações mais complicadas, pode ser necessário o uso de medicamentos endovenosos ou procedimentos internos. Ao perceber dores súbitas nessas regiões, recomenda-se procurar imediatamente um pronto-socorro e, após o diagnóstico, seguir com acompanhamento de um nefrologista.

Embora qualquer pessoa possa desenvolver cálculos renais, alguns grupos apresentam maior vulnerabilidade durante o verão. Entre eles estão indivíduos com histórico familiar da doença, pessoas com obesidade, diabéticos, portadores de ácido úrico elevado, trabalhadores expostos ao calor, atletas que praticam atividades ao ar livre e idosos, que têm a sensação de sede reduzida, levando à ingestão insuficiente de líquidos.

A prevenção pode ser praticada com mudanças simples na rotina diária. A recomendação principal é manter uma produção urinária de aproximadamente dois litros por dia. Além de beber água regularmente, a ingestão de sucos ricos em citrato, como limão, melão e laranja, é aconselhada por ajudar na proteção dos rins.

Reduzir o consumo de sal, proteínas de origem animal, chocolates, chá preto e alimentos muito doces também é fundamental para diminuir as chances de formação de cálculos, promovendo uma saúde renal mais segura durante o verão.