O líder americano Donald Trump declarou que é 'inadmissível' que a Groenlândia esteja fora do controle dos Estados Unidos, tendo ameaçado todos os países que se opuserem às suas intenções com tarifas comerciais.
Apesar de sua localização geográfica na América do Norte, a ilha tem uma forte ligação cultural e política com a Europa, devido ao vínculo com a Dinamarca. Enquanto os governos dinamarquês e groenlandês resistem às tentativas de Trump de ampliar sua influência, nações como Europa, China e Rússia analisam a importância geopolítica do território no Ártico para seus interesses estratégicos.
Mas por que exatamente a Groenlândia é considerada tão crucial? A relevância estratégica do território é antiga, ultrapassando as ações recentes do governo Trump. Desde 1867, quando o então Secretário de Estado dos EUA, William Seward, propôs anexar a maior ilha do planeta, a presença americana na região nunca cessou. Durante a Segunda Guerra Mundial, os EUA ocuparam a Groenlândia para evitar que ela fosse tomada pela Alemanha nazista.
Atualmente, o país mantém a Base Espacial de Pituffik, uma instalação de alta tecnologia operada pela Força Aérea, localizada no noroeste da ilha, construída após assinatura do Tratado de Defesa entre os EUA e Dinamarca em 1951.
Sua posição na costa nordeste do Canadá reforça sua importância para a estratégia de defesa norte-americana. Russia, por sua vez, possui múltiplas bases na região do Círculo Polar Ártico, enquanto a China se autodenominou, em 2018, uma nação próxima ao Ártico, buscando consolidar sua presença na área.
A extensão da Groenlândia é impressionante. Com aproximadamente 2,17 milhões de km², ela é maior que muitos países e até mesmo que o estado brasileiro do Amazonas, que possui 1,5 milhão de km².
Apesar de ser menor que a Rússia, os Estados Unidos, o Canadá e a China, poucas nações ultrapassam seu tamanho. Para se ter uma ideia, ela é seis vezes maior que a Alemanha e tem uma área superior à do maior rio brasileiro, o Amazonas.
Em termos populacionais, a Groenlândia é a mais despovoada do planeta, com cerca de 56 mil habitantes, o equivalente a 0,14 pessoas por km². A sua geografia hostil, marcada por uma camada de gelo de aproximadamente 3 milhões de anos, limita a ocupação humana, concentrada principalmente em cinco cidades: Nuuk, Sisimiut, Ilulissat, Qaqortoq e Aasiaat, que juntas abrigam mais de 65% dos moradores.
As projeções indicam que o número de residentes deve diminuir para menos de 50 mil até 2050, devido ao envelhecimento da população local. O clima na Groenlândia está passando por mudanças aceleradas, refletindo o que ocorre em todo o Ártico.
Em maio do ano passado, a estação meteorológica de Ittoqqortoormiit registrou uma temperatura de 14,3°C, um aumento de mais de 13°C em relação à média máxima de maio, que é de 0,8°C.
O derretimento do gelo na região é alarmante: até 2025, o Serviço Geológico Dinamarquês e Groenlandês constatou que a camada de gelo havia encolhido pelo 29º ano consecutivo, perdendo em média cerca de 140 bilhões de toneladas de gelo anualmente desde 1985.
Dados da NASA de 2025 revelam que esse derretimento contribui para a elevação do nível do mar em aproximadamente 0,8 milímetros por ano. Essa transformação no clima global aumenta o interesse de países como os EUA na região, pois o derretimento abre uma nova rota de navegação no noroeste do planeta e potencialmente facilita o acesso aos recursos minerais, levando a uma competição internacional mais acirrada entre Rússia, China e outros países.
A Groenlândia possui uma vasta gama de recursos naturais, incluindo pelo menos 25 das 34 matérias-primas consideradas essenciais pela União Europeia.
O território é rico em minerais como ferro, grafite, tungstênio, paládio, vanádio, zinco, ouro, urânio, cobre e petróleo, embora a difícil geografia, o clima extremo e a infraestrutura limitada dificultem extrações de grande escala.
O destaque fica para as terras raras, componentes indispensáveis na fabricação de veículos elétricos, dispositivos móveis, radares militares e equipamentos de ressonância magnética.
Como aproximadamente 60% dessas terras são extraídas na China, que processa mais de 90% delas, a busca por fontes alternativas intensifica-se.
Com a União Europeia e os EUA empenhados em reduzir sua dependência da China, a Groenlândia surge como um palco estratégico para a disputa por esses recursos altamente valiosos.