Com o início deste ano, o governo brasileiro, por meio da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), iniciou o processo de retirada definitiva dos antigos telefones públicos — popularmente conhecidos como orelhões — das ruas de todo o país. Apesar de sua popularidade ter diminuído com a ascensão dos celulares, esses aparelhos permaneceram como símbolos de uma época, despertando nostalgia em muitas pessoas.
O cronograma prevê que até o ano de 2028, todos os orelhões serão removidos, marcando o encerramento de uma era de comunicação pública nas cidades brasileiras. Embora esses dispositivos tenham caído em desuso, algumas memórias e histórias relacionadas a eles ainda permanecem vivas, especialmente em bairros de São Paulo.
Após o crescimento exponencial do uso de celulares, os orelhões passaram a ser utilizados apenas em situações de emergência. Na década de 1990, o Brasil tinha aproximadamente 1,5 milhão desses aparelhos instalados em vias públicas, número que caiu para cerca de 30 mil atualmente, sendo aproximadamente 5 mil na capital paulista.
Para o motorista de aplicativo Eronildo Almeida, de 46 anos, que reside em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, os orelhões eram pontos de encontro na rua, além de serem a principal forma de comunicação com familiares. “Na minha rua, tinha um na frente do bar até pouco tempo, e era onde a galera se reunia. Era o único jeito de falar com quem estivesse longe”, relembrou.
Por outro lado, para jovens como Lucas, também motorista de aplicativo, as memórias não são tão vívidas. “Eu já usei, mas não lembro bem como era, porque era criança na época. Tinha um na minha rua, na frente de um bar, mas acho que já foi retirado”, comentou.
O processo oficial de remoção dos orelhões teve início em janeiro de 2026, logo após o término da concessão de operação dos aparelhos no Brasil. Apesar do avanço na eliminação dessas estruturas, alguns exemplares ainda resistem, como uma dupla de orelhões que decora a praça Benedito Calixto, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo.