Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (22) pelo levantamento Atlas/Intel revela que o líder nas intenções de votos, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enfrenta uma rejeição significativa entre os jovens.
De acordo com os resultados, 75,5% dos entrevistados com idades entre 16 e 24 anos manifestam desaprovação ao atual governo. Este índice é um pouco superior ao nível de rejeição registrado entre os evangélicos, que alcança 74,2%.
Essa demografia já representa um desafio para o partido. Nos anos recentes, o PT tem tentado conquistar os protestantes, geralmente com valores mais tradicionais.
A resistência dos mais jovens ao governo tem se tornado uma novidade, já que desde sua fundação em 1980, o Partido dos Trabalhadores gozou de forte popularidade nesse grupo. Jovens, sindicalistas e intelectuais foram os principais impulsores do crescimento do PT durante o processo de redemocratização e contribuíram para a eleição de Lula ao Palácio do Planalto.
Contudo, a atual geração de jovens, mais cética e conservadora, nasceu em um contexto em que o partido já estava consolidado como uma das principais forças políticas do país. Além disso, eles cresceram vendo o PT no poder, o que faz com que muitos não o percebam como uma alternativa de mudança.
A comunicação do partido, que é mais lógica e analítica, também é vista como um obstáculo para alcançar as gerações Z e Alpha. Apesar do cenário, a equipe de comunicação do governo, liderada por Sidônio Palmeira, vem sendo considerada eficiente. Segundo parlamentares do PT, ele tem conseguido transmitir a mensagem do Executivo além do círculo de apoiadores tradicionais.
Ainda assim, reconhecem que a oposição permanece à frente na batalha de narrativas nas redes sociais. Internamente, o governo aposta na pauta relacionada ao fim da escala 6×1 para atrair mais votos entre os mais jovens.
Políticos afirmam que uma evolução expressiva nas intenções de voto ainda é difícil de ser alcançada até 2026, mas a estratégia é manter o foco nesse tema para aumentar a popularidade. Nas eleições de primeiro turno, Lula mantém uma intenção de votos entre 48% e 49% em todos os cenários.
Nos cenários de segundo turno, o petista permanece na liderança com uma porcentagem de 49%, embora evidencie dificuldades em convencer eleitores indecisos ou de outros candidatos. A pesquisa também questionou os entrevistados sobre quais nomes eles jamais votariam. Lula foi o segundo mais rejeitado, com 49,7% dos entrevistados afirmando que certamente não o apoiariam.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) lidera essa lista, com uma rejeição de 50%, mesmo estando inelegível. Esses números acenderam um sinal de alerta entre os líderes do governo. Lula ainda não conseguiu converter avanços econômicos recentes, como o recorde no emprego, a inflação controlada dentro da meta e a aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, além do protagonismo internacional ao influenciar na queda do "tarifão" de Donald Trump, em uma estratégia de fortalecimento de sua imagem perante o eleitorado.
A pesquisa foi realizada de 15 a 20 de janeiro com 5.418 pessoas por meio de recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de um ponto percentual. O estudo foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o nº BR-02804/2026.