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24/01/2026 16:00:00

Nova Fronteira na Defesa: Sistema 'Domo de Ouro' de Trump e seus Implicações Globais

Plano de proteção avançada dos EUA visa criar um escudo espacial inspirado em tecnologias existentes e suscita reações internacionais

Nova Fronteira na Defesa: Sistema 'Domo de Ouro' de Trump e seus Implicações Globais

Nos últimos anos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, destacou a importância de adquirir a Groenlândia para impulsionar o desenvolvimento do seu ambicioso sistema de defesa espacial, denominado 'Domo de Ouro'.

Durante sua participação no Fórum Econômico Mundial em Davos, Trump afirmou que a instalação de uma base na Groenlândia seria essencial para a construção do maior escudo antimísseis já criado, fortalecendo a segurança internacional e protegendo os EUA de ameaças externas. Segundo ele, a obtenção desse território é uma peça-chave na estratégia de defesa do país.

No ano passado, Trump declarou que o sistema estaria completamente operacional até o final de seu mandato presidencial, previsto para 2029. Inicialmente, o projeto contou com um investimento de US$ 23 bilhões, mas as estimativas do Escritório de Orçamento do Congresso indicam que os custos finais podem atingir quase cinco vezes esse valor ao longo de duas décadas, chegando a aproximadamente US$ 175 bilhões.

O projeto prevê a implementação de uma rede de tecnologias de ponta em terra, mar e espaço, incluindo interceptores e sensores orbitais, com o objetivo de neutralizar mísseis inimigos. A expansão e aprimoramento desses sistemas visam fortalecer a defesa dos EUA contra ameaças cada vez mais sofisticadas, principalmente de nações como Rússia e China.

O conceito do 'Domo de Ouro' é parcialmente inspirado no sistema israelense de defesa antimísseis, conhecido como Domo de Ferro, que atua desde 2011 usando radares para interceptar mísseis de curto alcance. Entretanto, o projeto de Trump pretende ampliar esse conceito, tornando-o muito maior e capaz de enfrentar uma gama mais abrangente de ameaças.

De acordo com especialistas, a estratégia envolve uma rede de centenas de satélites que realizariam funções distintas: detecção de lançamentos, rastreamento e controle de fogo, além do engajamento com armas cinéticas ou outros sistemas para destruir os mísseis adversários. O contra-almirante Mark Montgomery, responsável pelo Centro de Inovação Cibernética e Tecnológica dos EUA, explicou à BBC que o sistema dependeria de três ou quatro grupos de satélites, totalizando centenas de unidades, o que até então era inviável economicamente, mas que hoje se tornou uma possibilidade real.

Ele acrescenta que o sistema teria capacidade de interceptar mísseis lançados do outro lado do globo ou até do espaço, incluindo mísseis de cruzeiro, balísticos e armas hipersônicas — capazes de se mover mais rápido que o som — além de sistemas de bombardeio orbital fracionário, conhecidos como FOBS.

Embora os planos sejam ambiciosos, especialistas como Shashank Joshi, editor de defesa da revista The Economist, alertam que a realização do projeto ao longo do mandato de Trump é improvável, devido ao custo elevado e à complexidade técnica. O general Michael Guetlein, responsável pelo projeto, afirmou que uma implementação adequada levaria entre cinco e dez anos, destacando que, em três anos, novas tecnologias podem surgir e aumentar a segurança nacional.

O líder militar, nascido em Oklahoma, ingressou na Força Aérea dos EUA em 1991 após concluir seus estudos na Universidade Estadual de Oklahoma. Atualmente, é vice-chefe de operações espaciais na Força Espacial, uma divisão das Forças Armadas responsável por alertas de mísseis, navegação, guerra eletrônica e outros aspectos da defesa aeroespacial.

Quanto às reações internacionais, a Rússia e a China demonstraram preocupação com o sistema. Uma análise da Agência de Inteligência de Defesa dos EUA destacou que ambos os países estão aprimorando seus próprios sistemas de mísseis para explorar possíveis brechas na defesa americana, além de criticarem o 'Domo de Ouro' como uma iniciativa que aumenta a instabilidade global.

Após discussões entre Moscou e Pequim, o Kremlin publicou um comunicado em maio de 2025 classificando o sistema como uma ofensiva significativa contra o espaço. O porta-voz russo Dmitry Peskov afirmou que o projeto é uma questão de soberania americana e que poderia estimular retaliações nucleares. Por sua vez, a China classificou o sistema como um risco à paz internacional, alertando que sua implementação agravaria a corrida armamentista espacial e aumentaria a militarização do cosmos.

Quanto ao Canadá, ainda há incertezas sobre sua participação no 'Domo de Ouro'. Embora seja convidado, as tensões diplomáticas recentes devido às tarifas de Trump têm dificultado uma decisão clara. O Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que o país foi convidado e que o sistema protegeria o Canadá por sua própria natureza. Em 2025, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, revelou que o governo discutia fortalecer a cooperação com os EUA, incluindo o aprimoramento do NORAD e o envolvimento no projeto, considerado de interesse nacional pelo ex-ministro da Defesa, Bill Blair.

No entanto, ainda não há uma confirmação definitiva sobre a adesão do Canadá ao sistema.