De acordo com um estudo do Instituto Locomotiva, realizado em parceria com a plataforma QuestionPro, oito em cada dez responsáveis com filhos em idade escolar optam por reaproveitar itens do ano anterior, como mochilas, estojos e cadernos usados parcialmente. Apesar da apreensão com os custos, a intenção de adquirir materiais permanece forte, com nove em cada dez pais confirmando que farão compras para o período letivo de 2026.
O levantamento aponta que as categorias mais mencionadas na hora de fazer compras incluem materiais escolares (89%), uniformes (73%) e livros didáticos (69%). A pesquisa também revela que 92% das famílias envolvidas participam da escolha dos itens escolares, com 45% dos jovens, especialmente aqueles entre 11 e 14 anos, tendo influência direta na seleção, atingindo uma participação de 95%.
Embora as estratégias para conter gastos variem, a lista de materiais enviada pelas escolas divide opiniões. Enquanto 56% dos pais consideram a lista adequada, 42% acreditam que ela traz itens excessivos, apontando que algumas exigências ultrapassam o necessário para o ano escolar.
O impacto financeiro das despesas com materiais também foi avaliado. Cerca de 88% dos responsáveis afirmam que esses gastos influenciam o orçamento familiar, e 84% reconhecem que o preço impacta outros setores, como alimentação, lazer e contas mensais. O peso dessa despesa é sentido por todas as classes sociais, contudo, famílias de menor renda são as mais afetadas.
Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, explica: “Embora o impacto do material escolar seja sentido por todas as classes, é mais intenso entre famílias de baixa renda. Muitas dessas famílias, com filhos em escolas públicas, relatam gastos elevados que afetam outras decisões financeiras do mês, exigindo ajustes. Já as famílias de alta renda tendem a absorver esses custos com menos pressão, mostrando como o mesmo gasto pode pesar de forma diferente no orçamento.”
O estudo foi realizado com 1.500 entrevistas em todo o Brasil, entre os dias 27 de novembro e 5 de dezembro de 2025, apresentando uma margem de erro de 2,5 pontos percentuais. A amostra, que representa a população brasileira com 18 anos ou mais, foi ajustada considerando gênero, idade, escolaridade, renda e região, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2022, do IBGE.