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Guerra
23/01/2026 16:00:00

Moscou reforça demanda de retirada das forças ucranianas do Donbass antes de negociações internacionais

Rússia afirma que a devolução do controle sobre a região leste da Ucrânia é essencial para pacificação, enquanto negociações trilaterais se iniciam em Abu Dhabi

Moscou reforça demanda de retirada das forças ucranianas do Donbass antes de negociações internacionais

Na véspera do início das reuniões de diálogo tripartite envolvendo Estados Unidos, Ucrânia e Rússia em Abu Dhabi, o Kremlin reiterou sua posição de que as tropas ucranianas devem se retirar do território do Donbass, condição que considera fundamental para uma resolução pacífica do conflito.

Antes das conversas, o presidente russo Vladimir Putin manteve encontros com representantes dos EUA, incluindo Steve Witkoff e Jared Kushner, na capital Moscou.

Além disso, o mandatário ucraniano Volodymyr Zelensky e o presidente americano Donald Trump se reuniram em Davos, na Suíça, em um evento separado. Dmitry Peskov, porta-voz da presidência russa, declarou que a retirada das forças armadas ucranianas da região do Donbass é uma prioridade para encerrar as hostilidades.

Ele destacou que essa condição é de suma importância e que a conversa em Abu Dhabi deverá abordar essa questão. Peskov também evitou entrar em detalhes sobre os tópicos que serão discutidos na reunião, referindo-se à chamada "fórmula de Anchorage", uma proposta que remete ao encontro ocorrido na cúpula de agosto de 2025 entre Putin e Trump na Alaska.

O porta-voz justificou que divulgar informações adicionais seria inoportuno neste momento. Após negociações realizadas na madrugada entre Putin e os representantes de Washington, Yuri Ushakov, assessor de política internacional, destacou a necessidade de resolver a questão territorial, em consonância com o entendimento firmado em Anchorage.

Trump, por sua vez, abandonou a exigência de um cessar-fogo imediato, embora os detalhes relativos ao futuro do Donbass, Kherson e Zaporíjia — territórios anexados unilateralmente por Moscou em 2022 — permaneçam confidenciais.

Segundo Peskov, Putin saiu das negociações com sensação de satisfação, descrevendo o encontro como intenso, responsável e de alta complexidade. Ele salientou que esse tipo de consulta costuma ser exaustivo e que, muitas vezes, passa despercebido o tempo dedicado a ela. O porta-voz também lembrou que Estados Unidos têm aproximadamente 5 bilhões de dólares em ativos russos congelados.

Destacou que uma fração dessa quantia, cerca de 20%, poderia ser destinada à reconstrução da Faixa de Gaza, por meio do Conselho de Paz promovido por Trump. Ainda sugeriu que o restante dos recursos poderia ajudar na reconstrução de áreas ucranianas sob controle russo após o fim do conflito. Quanto às negociações em Abu Dhabi, fontes diplomáticas indicam que a delegação russa será liderada pelo almirante Igor Kostyukov, chefe da Inteligência Militar (GRU). Peskov limitou-se a afirmar que o grupo é composto por representantes do Ministério da Defesa.

Na Ucrânia, Zelensky confirmou que enviará seu principal negociador, Rustem Umerov, além do comandante do Estado-Maior General, Andriy Gnatov, para participar do encontro. Este será o primeiro diálogo direto de alto nível entre representantes de Moscou, Kiev e Washington desde o início da ofensiva em 2022, embora encontros anteriores tenham ocorrido em Istambul, em 2025, focando uniquement na troca de prisioneiros e restos mortais.

O processo de diplomacia itinerante, em que os EUA atuam como mediadores, facilitando diálogos separados entre russos e ucranianos e transmitindo propostas, tem sido o método predominante nas negociações recentes. As conversas presenciais em Abu Dhabi estão previstas para acontecer entre esta sexta-feira e sábado, marcando um momento de potencial avanço na resolução do conflito.