Nesta terça-feira (20), mais um desastre no setor de trens na Espanha resultou na perda de uma vida e deixou cinco pessoas gravemente feridas, apenas dois dias após um grave acidente em Adamuz, na província de Córdoba, que causou pelo menos 42 óbitos e ferimentos em mais de 120 vítimas.
O episódio ocorreu quando uma composição de passageiros, a caminho de Barcelona, colidiu com destroços de uma parede de contenção que havia desabado sobre as trilhas próximas a Gelida, a cerca de 40 km da cidade catalã. A forte chuva e tempestades na região foram apontadas pela empresa responsável pela infraestrutura ferroviária, a Adif, como principais responsáveis pelo escorregamento. Nuria Parlon, ministra do Interior na Catalunha, confirmou uma morte e informou que os serviços de emergência atenderam cinco feridos em estado grave, além de trinta e dois com ferimentos leves.
A vítima fatal foi identificada por fontes locais como um condutor de trem de Sevilha, de 28 anos, que participava de uma fase de treinamento ao lado do motorista principal. Claudi Gallardo, oficial do Corpo de Bombeiros de Catalunha, explicou que a maioria dos feridos se encontrava na cabine dianteira, que foi a mais atingida pelo impacto.
Antes do incidente, outro trem também sofreu um descarrilamento na rota entre Macanet de la Selva e Blanes, a aproximadamente 70 km ao norte de Barcelona, embora sem registros de vítimas. Como medida de segurança, as operações ferroviárias na região foram suspensas nesta quarta-feira, afetando cerca de 400 mil passageiros.
Esses episódios ocorreram pouco tempo após o trágico evento de domingo em Adamuz, onde a colisão entre dois trens deixou mais de 40 mortos. O número exato de vítimas ainda não foi finalizado, pois as buscas continuam. O ministro dos Transportes, Oscar Puente, estimou que o total de vítimas fatais pode chegar a 43, incluindo os desaparecidos. Na terça-feira, o rei Felipe VI e a rainha Letizia visitaram Adamuz, em um dia oficial de luto, oferecendo condolências às famílias e aos sobreviventes. Depois, os monarcas foram ao Hospital Reina Sofía, em Córdoba, onde alguns feridos ainda permanecem em tratamento.
A tragédia envolvendo os dois últimos vagões de um trem com destino a Madrid, operado pela companhia privada Iryo – na qual a estatal italiana Ferrovie dello Stato (Trenitalia) detém 51% – e um trem da Renfe, a operadora ferroviária nacional espanhola, aconteceu quando ambos descarrilaram e invadiram uma linha paralela. O impacto frontal ocorreu enquanto os trens, que trafegavam a velocidades superiores a 200 km/h, deixaram mais de 500 passageiros a bordo.
As investigações iniciais apontam para uma possível ruptura na via férrea, com extensão superior a 30 centímetros no ponto do acidente. Fontes policiais relataram que a falha pode ter sido causada por uma solda defeituosa ou deteriorada devido ao intenso tráfego ou às condições climáticas adversas, embora a hipótese de sabotagem ainda esteja sendo considerada.
O ministro Oscar Puente destacou que é cedo para determinar se a ruptura foi a causa ou consequência do acidente, e que, por ora, as apurações não envolvem erro humano ou velocidade excessiva. A Adif anunciou uma redução temporária na velocidade na seção afetada entre Madrid e Barcelona, após relatos de solavancos por parte dos operadores.
Apesar de a infraestrutura da região ser relativamente nova, outros trens passaram pelo mesmo trecho minutos antes do incidente, sem sinais de irregularidades. O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, descartou qualquer hipótese de sabotagem, afirmando que não há evidências que sustentem essa teoria.
Em um momento de luto nacional, o primeiro-ministro Pedro Sánchez garantiu total transparência e compromisso com a verdade. Em 2013, uma colisão fatal na região de Santiago de Compostela matou 80 pessoas, marcando um episódio importante na história do transporte ferroviário no país.