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LatAm
22/01/2026 14:00:00

Guiana vive rápida expansão no setor de petróleo, mas vulnerabilidade ao mercado mundial preocupa especialistas

A explosiva produção de petróleo impulsiona crescimento econômico, porém oscilações do preço global representam desafios futuros

Guiana vive rápida expansão no setor de petróleo, mas vulnerabilidade ao mercado mundial preocupa especialistas

A nação sul-americana de aproximadamente 800 mil habitantes transformou-se rapidamente em uma potência petrolífera per capita, destacando-se como líder mundial nesse índice e experimentando uma expansão econômica sem precedentes, conforme relato do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

O crescimento acelerado do setor de petróleo elevou a produção diária de 120 mil barris em 2019 para cerca de 900 mil em novembro de 2025, com uma média de 650 mil barris em 2024 e atingindo sua máxima no último ano. Tal avanço resultou em uma média de crescimento real de 41% ao longo de seis anos, refletindo-se também em uma significativa elevação na renda per capita.

Hoje, o petróleo responde por 75% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, uma participação que antes do boom petrolífero praticamente inexistia. Essa transformação estrutural impactou positivamente as contas externas: as exportações de petróleo impulsionaram uma mudança na balança de pagamentos, levando a um saldo positivo na conta corrente em 2022, algo inédito em quase 43 anos.

De 33% entre 2015 e 2019, a relação entre exportações e PIB subiu para aproximadamente 70% de 2020 a 2024, com o petróleo respondendo por 87% das exportações em 2024. Como consequência, o superávit comercial se consolidou, atingindo uma projeção de 21% do PIB entre 2025 e 2030, mesmo diante do aumento relevante nas importações de bens de capital.

Esse cenário favorável também fortaleceu as finanças públicas, com receitas provenientes do petróleo sendo altamente abundantes. Uma parte significativa dessas receitas é reservada no Fundo de Recursos Naturais, criado para administrar a volatilidade dos preços do petróleo, garantir benefícios às futuras gerações e oferecer maior flexibilidade frente a crises externas.

Para 2025, as receitas provenientes do petróleo estavam estimadas em mais de US$ 5 bilhões, cerca de 20% do PIB. Entretanto, uma parcela importante desses recursos não é destinada ao gasto corrente, mas investida no fundo de estabilidade de preços.

O impacto econômico indireto causado pelo aumento do investimento público também é notável. Grandes projetos de infraestrutura, como obras viárias, hospitais, pontes e melhorias na geração de energia por gás, impulsionaram o crescimento da construção civil e da indústria local, que apresentou taxas de expansão de dois dígitos nos últimos dois anos, beneficiada por avanços na conectividade, qualificação do capital humano e digitalização.

No entanto, o futuro da economia guianense dependerá, em grande parte, da tendência de preços do petróleo. Projeções do BID indicam que os preços podem cair para US$ 60 por barril até 2026 e permanecer nesse patamar até 2030. Uma eventual baixa nesses valores reduziria os lucros do setor, afetando receitas fiscais e possivelmente levando a cortes nos investimentos planejados, que somam cerca de US$ 77 bilhões entre 2019 e 2028.

Para contrabalançar essa possível crise, o governo brasileiro planeja ampliar a produção para 1,5 milhão de barris diários até 2029, com a entrada de três novos projetos em operação, duplicando o volume atual. Com o ponto de equilíbrio estimado em torno de US$ 28 por barril, as operações continuariam lucrativas mesmo com a redução dos preços.

Por outro lado, o BID também alerta para riscos adicionais, como o aumento nos custos de importação — especialmente de alimentos — e a deterioração das condições de troca, fatores que podem pressionar a inflação e dificultar a condução da política monetária. Assim, o maior desafio será gerenciar o período de bonança petrolífera, mitigando os riscos associados a uma eventual desaceleração do mercado internacional, sem comprometer a estabilidade macroeconômica do país.