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Acidente
22/01/2026 11:00:00

Bolsa Brasileira alcança recorde histórico e impulsiona investimentos estrangeiros

Índice Ibovespa fecha em alta expressiva, enquanto o dólar recua para seu menor valor desde dezembro de 2025

Bolsa Brasileira alcança recorde histórico e impulsiona investimentos estrangeiros

O índice acionário Ibovespa atingiu um patamar sem precedentes nesta quarta-feira (21), encerrando o dia com uma alta significativa e marcando sua segunda máxima histórica consecutiva, aproximando-se dos 172 mil pontos.

Este movimento foi amplamente influenciado por fluxos de capital externos, especialmente por ações de peso como Itaú Unibanco e Vale, que estabeleceram novos recordes.

A confiança do mercado foi fortalecida após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que recuou de ameaças de aumentar tarifas comerciais relacionadas à Groenlândia, contribuindo para o clima de otimismo. Ao final do pregão, o Ibovespa subiu 3,33%, fechando aos 171.816,67 pontos.

Durante as negociações, o índice ultrapassou por primeira vez as marcas de 167 mil, 168 mil, 169 mil, 170 mil e 171 mil pontos. A mínima do dia foi registrada na abertura, com 166.277,91 pontos, enquanto a máxima atingiu 171.969,01 pontos.

O volume financeiro negociado atingiu R$ 43,32 bilhões, superando em grande medida a média anual de R$ 28,99 bilhões. Paralelamente, o dólar comercial terminou a sessão com uma forte desvalorização de 1,10%, cotado a R$ 5,3209, o menor valor de fechamento desde 4 de dezembro de 2025, quando fechou a R$ 5,3103.

No acumulado de 2026, a moeda norte-americana apresenta uma redução de 3,06%. A movimentação internacional de capitais também favorece o real, similar ao comportamento do ano passado, quando a bolsa brasileira recebeu entradas líquidas de cerca de R$ 25 bilhões, conforme dados da B3. Até o dia 19 de janeiro, o saldo positivo de investimentos estrangeiros no país já soma R$ 7,6 bilhões.

Segundo um gestor de uma empresa de previdência complementar, "o fluxo de recursos explica o avanço do mercado de ações". Ele destaca que a desaceleração das tensões geopolíticas globais e as preocupações com a política comercial dos EUA têm impulsionado a migração de investimentos, principalmente de origem norte-americana, em um cenário de redução das taxas de juros nos Estados Unidos. Especialistas do JPMorgan acreditam que 2026 pode repetir o ciclo de forte captação de recursos externos, como ocorreu no ano passado, beneficiando as ações brasileiras devido à contínua busca por diversificação internacional.

Eles apontam que o nível de investimentos em fundos globais voltados a mercados emergentes está em patamares historicamente baixos, e uma reversão até a média dos últimos dez anos poderia representar uma entrada de aproximadamente US$ 25 bilhões no Brasil. A expectativa de queda na taxa básica de juros, a Selic, é outra variável de otimismo, com economistas do JPMorgan prevendo uma redução de 3,5 pontos percentuais a partir de março, levando a taxa a 11,50% ao final de 2026.

Por outro lado, uma possível escalada de tensões geopolíticas e conflitos comerciais globais poderia afetar a disposição de investidores por ativos de maior risco, enquanto fatores internos, como uma queda mais lenta nos juros ou instabilidade política, também representam riscos ao cenário positivo. Cristiano Henrique Luersen, assessor de investimentos e parceiro na Wiser Investimentos, reforça a importância do fluxo estrangeiro para o desempenho do mercado, afirmando que "a entrada significativa de capitais internacionais é fundamental para essa valorização".

Ele também comenta que as questões macroeconômicas e geopolíticas têm provocado uma saída elevada de recursos da Europa e dos EUA, e que esse movimento de saída em direção aos mercados emergentes, incluindo o Brasil, deve continuar. No âmbito político, a primeira pesquisa do instituto AtlasIntel/Bloomberg para 2026 revela vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em todos os cenários de primeiro e segundo turno.

A sondagem também indica empate técnico entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), com margem de 49% a 45% em relação ao candidato petista. No cenário regulatório, o Banco Central anunciou nesta quarta-feira a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, controlada pelo Banco Master.